Nuha Musleh. Ramala, 15 dez (EFE).- A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) anunciou hoje o adiamento indefinido das eleições previstas para janeiro, no primeiro dia de uma reunião em que pedirá a Mahmoud Abbas que siga como presidente até que se escolha um novo líder.

"As necessidades nacionais requerem o adiamento das eleições e flexibilidade para fixar uma nova data, a fim de impedir uma maior divisão entre Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza", declarou hoje o secretário-geral do Conselho Nacional Palestino (CNP), Yasser Abed Rabbo, no primeiro dos dois dias da reunião deste que é o órgão legislativo da OLP.

O anúncio de Abed Rabbo já era esperado, já que a Comissão Eleitoral Palestina se pronunciou a favor do adiamento das eleições e de que se comece a organizar o pleito no período mínimo de 40 dias da data oficial da votação.

O secretário-geral do CNP acusou o movimento islâmico Hamas, que governa Gaza, e Israel, que ocupa Cisjordânia e Jerusalém Oriental, de bloquear o processo eleitoral.

"Israel quer impedir as eleições em Jerusalém para dizer que a cidade não é parte dos territórios palestinos, e o Hamas quer proibir o pleito em Gaza para minar a reconciliação", afirmou.

Abed Rabbo falou com a imprensa no começo da reunião, na qual o CNP deve solicitar a Mahmoud Abbas - líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), da OLP e do movimento Fatah - que permaneça interino pelo menos até a realização do pleito.

Na noite desta segunda, em declarações a duas agências de notícias palestinas, Abed Rabbo explicou que o Comitê Executivo receberá a recomendação de "manter Abbas à frente das instituições para que sigam funcionando até a convocação das eleições".

O Conselho Revolucionário do Fatah tinha aprovado um dia antes uma resolução com a recomendação.

O embaixador palestino no Iêmen, Ahmed Al-Deik, membro do CNP, explicou hoje à Agência Efe que o mais provável é que a dita convocação seja feita amanhã, último dia da conferência.

Abbas convocou em outubro eleições gerais presidenciais e palestinas para 25 de janeiro, ao encerrarem-se os quatro anos de mandato para a Câmara legislativa e após ter formalmente expirado o seu à frente da Muqata em janeiro de 2009.

Um mês depois, Abbas anunciou que não se apresentaria como candidato nas eleições, uma decisão que reiterou hoje em discurso perante o CNP e que conta com apoio de 57% dos palestinos, segundo pesquisas de entidades locais.

Também em novembro a Comissão Eleitoral Palestina recomendou adiar o pleito com o argumento de que seria impossível fazer os preparativos em Gaza e Jerusalém Oriental.

Tudo isso aumentou o temor na liderança palestina e no Fatah, coluna vertebral da OLP, de que fosse gerado um vazio de poder, o que forçou o CNP a convocar a conferência.

Na reunião de hoje, o presidente fez um discurso carregado de acusações a Israel e ao principal movimento rival, o Hamas, no qual descartou o retorno à luta armada para conseguir um Estado palestino independente.

"O que (Israel) quer de nós, o retorno à violência? Não aceitarei", ressaltou Abbas, antes de dizer ao Estado judeu: "Vocês que foram queimados no Holocausto, não nos queimem agora, não nos matem".

Abbas deixou claro também que os palestinos optaram pela via do diálogo, mas não voltarão à mesa de negociações até que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, suspenda totalmente a expansão das colônias judaicas em Jerusalém Oriental e Cisjordânia e apoie de forma clara a criação de um Estado palestino.

Nesse sentido, o líder da ANP ressaltou que o congelamento por dez meses da expansão das colônias na Cisjordânia, declarada por Netanyahu, "não é uma cessação da construção nos assentamentos", pois exclui Jerusalém Oriental, assim como os três projetos que já contam com alicerces e a construção de escolas ou sinagogas.

Após reiterar sua recusa em tentar a reeleição, Abbas voltou a falar de forma obscura sobre o seu futuro político. "Tenho decididas outras medidas que serão anunciadas mais adiante", disse. EFE nm/rr

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