Adeus, enfim, Portugal!

Prometo que não falo mais de Portugal e de minhas férias naquele jardim à beiramar plantado. Ou beira-Tejo, para mim, cascaense adotivo.

BBC Brasil |

Umas últimas palavras porém até o ano que vem, se vivos estivermos, eu e o país.

Primeiro lugar, eu gostaria de me dirigir aos senhores dos Tamancos Aéreos Portugueses.

Sim, eu sei que é desaforo tratar a TAP tão mal assim. Mas por que é que ela nos trata tão mal assim e assado quando no aeroporto da Portela, em Lisboa?
Só viajo pela TAP. Gosto de prestigiar uma companhia de viação aérea onde sou bem tratado e que, agora, depois de uns bons vinte anos, vem funcionando e melhorando seus serviços de ano para ano.

Agora, vamos e venhamos (pela TAP, claro), não há motivo que se justifique uma vez passados pelo check-in, pela revista e pela polícia os senhores passageiros tenham de se acomodar como podem nos ônibus (grátis, no entanto) que os levam aos aparelhos que cuidarão de transportá-los até seu destino final.

Combalidos e doridos, juntamente com senhoras a que senhores não deram os lugares, ficamos pendurados de pé até que sejam dadas as ordens para seguirmos aos aviões para a descolagem (e tome "sic").

Este ano fiquei, ou ficamos, 40 minutos neste estado letal. Ninguém para nos dizer nada. A viagem, uma vez dada a partida, levou menos de duas horas, e tanto vôo quanto serviço foram ótimos, como de hábito.

Mas, ó Tamancos Aéreos Portugueses, pagamos para viajar de avião e não de ônibus desconfortável! Que se registre minha queixa.

Enfim, Londres!
Que se registre também que é fácil se readaptar a Londres. Basta ter muito dinheiro. Que ela encarece de dia para dia.

Vai-se o bronzeado, chegam as contas. Co´os diabos!
Depois não sabem porque ficaram amargando "100 anos de só latão" nos Jogos Olímpicos, como diria aquele péssimo candidato a humorista, até a chuva de ouro que este ano caiu sobre os atletas britânicos.

Terão todos que empenhar suas medalhas para sobreviver. Ao contrário do Brasil, onde jorra o petróleo, o sal e os shows, discos e entrevistas de Caetano Veloso e o presidente chama parcelas da população cabocla de "babacas". Um "sic" também para Lula.

Carnaval e feijoada
Que se registre ainda, que na segunda-feira, dia 25, realiza-se, ou realizou-se, dependendo do estado de espírito e a quantidade de caipirinhas ingeridas, o Notting Hill Carnival, festança onde os caribenhos dão vazão a seus instintos musicais, sob a forma de dança e ritmos, e que quase, quase, foi tomado por nossa brava gente brasileira sacudindo aquela saúde toda, tão nossa conhecida, para os fotógrafos de tablóides safados. Ou "babacas", para usar de um termo presidencial brasileiro.

Mais uma vez, não compareci. Notting Hill, para mim, é um bairro sem latões de gasolina fazendo percussão e onde as mercearias portuguesas, além de meu guaranazinho, fornecem, a preços módicos, os ingredientes mais salientes de uma ocasional feijoadona.

Eu mal disse adeus e até a próxima, para Portugal, meu avozinho. Parei e fiquei deblaterando, em cima de meus tamancos, e chamando a mui digna Transportes Aéreos Portugueses de Tamancos Aéreos Portugueses, só porque prometem avião e nos remetem a um ônibus, que sequer possui o charme de um daqueles eléctricos ("sic", e olha que é bonde) que se pega em Lisboa e se viaja dizendo mentalmente os versos que conseguimos lembrar da "Tabacaria", do Pessoa.

"Come chocolates, pequena, come chocolates..."
Viver é esquecer. Recordar é coisa de pobre sem graça e além do mais "babaca", para citar de novo o atual chefe de estado brasileiro.

Quero porém encerrar minha estada em terras de Camões esclarecendo, antes de mais nada, que me juraram, um dia, que "estadia" é uma coisa totalmente diferente. Algo a ver com navio, ou por aí, e para onde, aliás, ninguém é transportado para a escada que a ele leva de ônibus.

LGBT
Mas a meu último registro de férias: Causou-me forte impressão o lançamento, em fins de julho, a revista Com´Out, que é a única destinada à informação mensal dedicada à comunidade lésbica, gay, bissexual e transgénero (adeus, "sics", adeus!).

Não houve festa de lançamento, nem campanhas publicitárias ou acções (só mais um "siczinho", se faz favoire) de marketing.

Limitou-se a publicação a sair do armário. Que é como deve ser.

Não comprei. Mas parabenizo todos os que reuniram suas forças para dizer ao país, que muitos afirmam machista, que eles, os LGBT, estavam noutra.

Pena apenas o título. Poderiam ter evitado anglicismos e virgulazinha de cabeça para baixo. "O Paneleiro Assumido" ou "O Salta-Pocinhas nas Ruas" seriam duas de minhas sugestões.

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