Adbelazis diz que é hora de solução, paciência chega ao limite

Campo de refugiados de Rabuni (Argélia), 6 mai (EFE).- O presidente da República Árabe Saaraui Democrática (RASD), Mohammed Abdelaziz, afirmou hoje que o fracasso da ONU em sua missão de organizar um plebiscito no Saara Ocidental chega ao limite da paciência e destacou que "é hora de solucionar o conflito".

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Campo de refugiados de Rabuni (Argélia), 6 mai (EFE).- O presidente da República Árabe Saaraui Democrática (RASD), Mohammed Abdelaziz, afirmou hoje que o fracasso da ONU em sua missão de organizar um plebiscito no Saara Ocidental chega ao limite da paciência e destacou que "é hora de solucionar o conflito". Em entrevista à Agência Efe em Rabuni, a capital administrativa dos campos de refugiados do sudoeste da Argélia, Abdelaziz considerou que a não inclusão da supervisão dos direitos humanos entre as funções da missão da ONU na última resolução do Conselho de Segurança de sexta-feira passada foi "uma provocação" e "um golpe tremendo para os saarauis". "À medida que passa o tempo sem que se percebam sinais que nos confirmem que a ONU está disposta a enfocar com maior seriedade e rigor o compromisso que levou a instalar-se aqui, nos aproximamos de maneira paulatina ao limite da paciência dos saaráuis e às outras opções, as dos enfrentamentos militares", advertiu. O presidente saaraui ressaltou que a "grave responsabilidade" da não inclusão dos direitos humanos entre as prerrogativas da Missão das Nações Unidas para o Plebiscito no Saara Ocidental (MINURSO) recai "exclusivamente sobre a França". Abdelaziz reconheceu que as negociações entre Marrocos e a Frente Polisário patrocinadas pela ONU se encontram estagnadas. Asseverou que "a derrota dos saarauis é impossível" e que "ninguém pode sonhar de modo algum que a comunidade internacional esteja disposta a legitimar um fato colonial". O também secretário-geral do Polisário ressaltou que a luta do povo saaraui não cessou, embora observem o cessar-fogo alcançado em 1991, e que a estagnação do processo está supondo "uma fatura enorme para o Marrocos, com 175 mil homens armados defendendo o muro e as enormes despesas de uma diplomacia baseada em comprar vontades". Acusou à França de ser a responsável pelo conflito saaraui desde o começo ao "encorajar" à Mauritânia e ao Marrocos a entrar no território quando o abandonou Espanha em 1976 e considerou que Paris "nunca antes tinha visto tão só e isolada como hoje" na ONU e na União Europeia. "Com sua atitude de veto como membro permanente do Conselho de Segurança, França é atualmente responsável pela violação dos direitos humanos por parte do Marrocos no Saara Ocidental" e "lidera a luta contra a legalidade internacional", afirmou. "Há muita gente disposta a derramar sangue. Eu sou consciente, e eles também, que podem lutar em qualquer momento, podem fazer guerra de guerrilhas ou de posições, ou inclusive recorrer a outras vias que nem sequer se tenham explorado ainda, ninguém pode frear aos saarauis e impedir que vivam com dignidade", advertiu. EFE jg/dm

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