Adaptação climática será mais cara do que ONU prevê, diz estudo

LONDRES - A adaptação do mundo aos efeitos da mudança climática, como secas e inundações, deve custar duas ou três vezes mais do que estima a ONU, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira.

Redação com agências internacionais |

O estudo elaborado por cientistas afirma que os custos, estiamos em uma faixa de de US$ 40 a US$ 170 bilhões por ano até 2030 pela ONU, serão cerca de duas ou três vezes maior.

O Secretariado de Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) estimou os custos da adaptação - itens como construção de casas mais elevadas para evitar inundações e combate a doenças causadas pelo aquecimento - em cerca de US$ 40 a US$ 170 bi.

A estimativa tem sido usada nas reuniões preparatórias para a cúpula de dezembro, em Copenhague, que deve resultar na aprovação de um novo tratado climático global.

"Se os governos estão trabalhando com números errados, podemos acabar com um acordo falso, que deixe de cobrir os custos da adaptação à mudança climática," disse Camillla Toulmin, diretora do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que publicou o estudo em conjunto com o Instituto Grantham para a Mudança Climática, do Imperial College, de Londres.

O relatório diz que o Secretariado Climático da ONU produziu suas cifras com muita pressa, "em uma questão de semanas," segundo o autor Martin Parry, e abrangeu apenas parcialmente os setores incluídos.

Os autores levaram seis meses para atualizar a estimativa da ONU, que foram revistas por sete especialistas, entre eles os principais autores do estudo original da ONU. Essa nova estimativa não apresenta cifras definitivas.

"Só olhando em profundidade os setores que o Secretariado de Mudança Climática de fato estudou, estimamos que os custos de adaptação sejam duas a três vezes maiores, e, quando se incluem setores que o Secretariado de Mudança Climática deixou de fora, o custo real provavelmente é muito mais alto," disse Parry.

O novo relatório diz que a ONU deixou de fora setores como energia, turismo, ecossistemas, indústrias, varejo e mineração.

Parry disse que a maior parte dos custos para a adaptação à mudança climática recairá sobre os países em desenvolvimento, que são os mais afetados pelo problema. "Ninguém estimou isso, mas num chute seria de pelo menos dois terços (do custo total)," afirmou.

Os países mais pobres poderiam recorrer a um Fundo de Adaptação da ONU para arcar com parte dos gastos.

Esse fundo deve crescer de cerca de US$ 80 milhões atuais para cerca de US$ 300 milhões por ano até 2012 --ainda uma soma irrisória em relação àquilo que os países em desenvolvimento, a ONU, entidades humanitárias e os autores do novo estudo consideram ser necessário.

* Com Reuters

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