Adaptação à mudança climática custará US$ 50 bilhões por ano, diz Oxfam

Varsóvia, 2 dez (EFE).- A organização humanitária Oxfam divulgou hoje um relatório em que estima um gasto de pelo menos US$ 50 bilhões por ano para financiar a adaptação dos países em vias de desenvolvimento à mudança climática - valor que aumentará se o aquecimento global for superior a dois graus.

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O documento foi mostrado durante a Conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática (UNFCCC, em inglês), que vai até o próximo dia 12 na cidade polonesa de Poznan.

"Ajudar os mais vulneráveis a lutar contra os efeitos da mudança climática é uma necessidade inegável, já que eles também enfrentam as cada vez mais graves conseqüências do fenômeno", afirmou Heather Coleman, autora do relatório.

A proposta da organização é financiar este processo de adaptação através das receitas derivadas da compra e venda de direitos de emissões a partir de 2012.

A Oxfam quer um leilão de 7,5% destes direitos em vez de entregá-los gratuitamente aos países. Com isso, segundo seus cálculos, seria possível gerar mais de US$ 50 bilhões por ano em 2015.

"Com a propagação de uma crise econômica mundial, estes mecanismos contribuiriam para obtermos dinheiro suficiente dos países mais poluentes sem ter de recorrer aos órgãos públicos", afirmou.

Para a Oxfam, o procedimento garantiria que os países com taxas de emissão mais altas - e mais poder econômico - assumam a maior parte das obrigações para auxiliar as nações menos desenvolvidas.

"Os países negociadores concordam que esta é uma das soluções mais práticas, já que gera e investe bilhões de dólares para evitar o avanço da mudança climática, além de ajudar os mais pobres na adaptação às negativas conseqüências do aquecimento global", apontou.

Na sua opinião, o dinheiro pode ser aplicado em um novo mecanismo multilateral para financiar a adaptação.

Ainda segundo a Oxfam, mecanismos de financiamento extras nos setores de transporte marítimo e aéreo poderiam gerar outros US$ 28 bilhões (US$ 16,6 e US$ 12 bilhões anuais, respectivamente) nos países mais ricos.

A reunião em Poznan é fundamental para que seja acertado um planejamento com o objetivo de assinar, no ano que vem, um protocolo de redução de emissão de gases que entre em vigor após 2012. EFE nt/dp

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