Acusados do assassinato de jornalista russa se declaram inocentes

Moscou, 19 nov (EFE).- Os acusados do assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya se declararam hoje inocentes na primeira audiência do julgamento realizado a portas fechadas no Tribunal Militar da Região de Moscou.

EFE |

Assim assegurou Murat Musayev, advogado do checheno Dzhabrail Majmudov, acusado de seguir os passos de Politkovskaya até seu assassinato no dia 7 de outubro de 2006, segundo as agências russas.

Os quatro acusados, três deles de assassinato, se manifestaram dispostos a "prestar testemunho", já que, segundo Musayev, "não têm nada que esconder".

O advogado assegurou que 98% das provas apresentadas contra seu representado pela Promotoria se baseiam em "conjeturas e suposições".

O juiz do Tribunal Militar da região de Moscou, Yevgueni Zubov, decidiu hoje que o julgamento sobre Politkovskaya se realizaria a portas fechadas, porque o júri se negava a entrar na sala na presença da imprensa.

Na segunda-feira passada, o tribunal tinha opinado que as vistas seriam abertas, como tinha solicitado a família e contra a opinião da Promotoria, que argumentou que entre os materiais do caso existem documentos considerados secretos de estado.

Na véspera, o tribunal escolheu os doze membros do júri popular que deverá emitir um veredicto sobre a culpabilidade ou inocência dos acusados pelo assassinato da jornalista.

O filho da jornalista, Ilya Politkovski, denunciou que "no banco dos réus só figura uma pequena parte dos envolvidos" no assassinato perpetrado em Moscou em 7 de outubro de 2006.

O suposto autor material do crime, identificado como Rustam Majmudov, é objeto de busca e captura internacional, e sua fuga foi muito criticada, particularmente pelo semanário "Novaya Gazeta", onde Politkovskaya trabalhou de 1999 até sua morte.

No banco dos réus estão dois irmãos Majmudov, como supostos cúmplices, e também o ex-policial Serguei Jadzhikurbanov, que poderia ter participado do assassinato.

Além disso, é processado por abuso de poder e extorsão o coronel dos serviços secretos russos Pavel Riaguzov, que poderia ter ajudado os assassinos a chegar ao endereço da jornalista.

O assassinato foi cometido quando Politkovskaya preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus companheiros cinco dias após sua morte. EFE io/ma

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