A Justiça haitiana deve decidir na terça-feira se um grupo de dez americanos preso no sábado quando tentava retirar 33 crianças do Haiti será julgado no Haiti ou nos Estados Unidos.


"Se daremos continuidade ao processo no Haiti ou nos Estados Unidos fica a cargo do juiz determinar, de acordo com as leis haitianas", disse a ministra de Comunicações e Cultura, Marie-Laurence Jocelyn Lassegue. "Porque existe muita destruição (entre prédios do governo), podemos discutir com os Estados Unidos" a possibilidade de julgamento do grupo no país.

AFP
Americanos em delegacia de Porto Príncipe

Americanos em delegacia de Porto Príncipe

O encontro entre os dez americanos acusados de tráfico infantil e o juiz haitiano estava previsto para ocorrer ainda nesta segunda-feira. Mas, segundo a correspondente da BBC em Porto Príncipe Carla Swift, a reunião teria sido adiada para terça-feira pois faltaram intérpretes para acompanhar os acusados.

Os americanos, cinco homens e cinco mulheres ligados a igrejas do Estado de Idaho, nos EUA, insistem que todas as crianças são órfãs e que elas estavam sendo levadas para um orfanato na vizinha República Dominicana.

Parentes vivos

As crianças foram levadas temporariamente para um orfanato em Porto Príncipe, administrado pela ONG internacional SOS Children's Villages. No domingo, o porta-voz da ONG disse que pelo menos uma das crianças, uma menina de 9 anos, afirmou que os pais dela estão vivos.

George Willeit disse a jornalistas que a menina acreditava que estava sendo levada para um colégio interno, ou para uma colônia de férias. Outras crianças pareciam ter parentes vivos, disse ele.

Segundo Willeit, muitas das crianças apresentavam problemas de saúde, fome e desidratação. Uma das menores - com apenas 2 ou 3 meses de idade - estava tão desidratada que teve que ser levada para o hospital, afirmou ele.

Segundo as autoridades haitianas, o grupo não tinha documentos provando que as crianças eram órfãs.

Erro

Os dez americanos, ligados à organização beneficente New Life Children's Refuge, viajavam num ônibus com as crianças e foram parados perto da fronteira com a República Dominicana.

Eles disseram que todas as crianças haviam perdido os pais no terremoto. Laura Silsby, a líder do grupo, disse que a prisão foi resultado de um erro.

"Nós entendemos, e várias pessoas nos disseram - inclusive autoridades dominicanas - que poderíamos levar as crianças para o país vizinho. Nosso erro foi que não entendemos que era necessária documentação adicional."

Mas a legislação internacional é bastante clara - tentar cruzar fronteiras internacionais com crianças sem permissão ou documentação é tráfico, independentemente de suas intenções.

"Você não pode simplesmente pegar uma criança e levá-la para fora do país, não interessa em que país você esteja", disse Kent Page, porta-voz do Unicef no Haiti.

As regras para a adoção de crianças no Haiti também são muito claras. Desde o terremoto do dia 12 de janeiro, o governo impôs novos controles e todos os casos de adoção precisam ser aprovados pelo governo.

As autoridades temem que os órfãos estejam particularmente vulneráveis neste momento, correndo maior risco de sequestro e de serem vendidos.

Mesmo antes do terremoto, o tráfico de crianças era um problema sério no país, com milhares de crianças desaparecendo a cada ano.

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