Os três réus acusados de envolvimento no assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya em outubro de 2006 foram absolvidos nesta quinta-feira. Politkovskaya era uma proeminente crítica do governo do ex-presidente da Rússia, Vladimir Putin, e ficou conhecida por expor atrocidades das forças de segurança apoiadas pelos russos contra civis na Chechênia.

Os réus inocentados, Sergei Khadzhikhurbanov e os irmãos Dzhabrail e Ibragim Makhmudov, eram acusados de ajudar a preparar e planejar o crime. Um deles, o ex-policial, era acusado de conseguir a arma do crime para o assassino.

Um terceiro irmão Makhmudov, Rustam, é acusado de realizar o assassinato em si e continua foragido.

Os promotores russos afirmaram que vão entrar com recurso.

A Justiça também decidiu absolver um ex-agente Serviço de Segurança Federal, Pavel Ryaguzov, de uma acusação de extorsão ligada ao caso.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou Rupert Wingfield-Hayes, o resultado é um desastre em termos de relações públicas para as autoridades russas.

De acordo com o correspondente, este julgamento deveria mostrar que a justiça finalmente seria feita dois anos depois de a jornalista ser morta a tiros em frente a seu apartamento em Moscou.

Mas as provas contra os três réus eram muito fracas, e o júri simplesmente não acreditou na promotoria, disse Wingfield-Hayes.

A agência de notícias russa Itar-Tass informou que o júri precisou de apenas duas horas para chegar a um veredicto.

Em um pronunciamento em frente ao tribunal, o advogado dos réus afirmou que a decisão foi uma vitória para a Justiça na Rússia e acrescentou que as autoridades agora devem buscar os verdadeiros assassinos da jornalista.

O assassinato de Politkovskaya foi condenado internacionalmente em meio a alegações de que Putin havia fracassado em proteger a liberdade de expressão no país.

Segundo o Comitê de Proteção dos Jornalistas, uma organização dos Estados Unidos, Politkovskaya foi a 13ª jornalista a ser assassinada num crime por encomenda na Rússia durante o período da presidência de Vladimir Putin.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas da Rússia, Vsevolod Bogdanov, afirmou que está "envergonhado" pelo resultado do julgamento.

"Tenho este sentimento de uma vergonha incrível - em que nível a investigação foi construída para que os jurados tenham tomado esta decisão por unanimidade?", perguntou o jornalista falando à agência de notícias Interfax.

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