Londres, 4 dez (EFE).- O secretário de Estado para Assuntos Humanitários do Sudão, Ahmad Mohammed Harun, apontado como responsável pelos massacres de Darfur, alega inocência e diz que nunca se entregará ao Tribunal Penal Internacional (TPI), diz hoje o jornal inglês The Guardian.

Em entrevista em Cartum, Harun fala que as acusações contra ele por crimes cometidos em Darfur entre 2003 e 2004 fazem parte de um "complô das potências ocidentais para voltar a colonizar Sudão".

Harun, ex-ministro do Interior, disse que está tranqüilo e que não lamenta nada. "O que fiz foi legal, foi minha responsabilidade, meu dever. Estou contente. Estou em paz", declarou.

O promotor do TPI, o argentino Luis Moreno Ocampo, pediu às autoridades sudanesas a que detenham o secretário por crimes de guerra e lesa-humanidade cometidos em Darfur.

Cerca de 200 mil pessoas, a maioria civis, perderam a vida e mais de 2,2 milhões foram obrigadas a se refugiar pelo conflito que opõe, desde 2003, forças rebeldes de Darfur com tropas regulares sudanesas milícias árabes respaldadas pelo Governo de Cartum.

"Acho que o TPI se desviou de seu principal objetivo e tomou parte do conflito político internacional. É outra fase do colonialismo internacional. Tem como alvo principalmente os africanos. Lembra-nos o século 19, quando a população branca dominava aqui na África", disse Harun ao "Guardian".

"Agora há uma nova era imperial, mas esta vez está liderada pelos Estados Unidos com o apoio dos europeus", acrescentou.

Em sua entrevista, Harun, de 43 anos, classificou Ocampo de ser "uma desgraça para o Direito" e disse que este deveria ser retirado de seu posto no TPI.

O promotor fiscal "não é bem-vindo no Sudão. Deveria ser substituído. É o que estamos pedindo", acrescentou.

"Não esperamos nada bom do TPI. Mas para cada ação, ressaltou.

Em julho, Ocampo pediu a detenção também da o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, por genocídio, crimes de guerra e lesa-humanidade em Darfur. EFE vg/jp

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