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Acusado, Paquistão envia seu chefe de inteligência

O Paquistão, acusado cada vez mais abertamente pela Índia de estar ligado de uma forma ou de outra aos ataques de Mumbai, decidiu nesta sexta-feira por um gesto forte e inédito para se livrar da culpa: enviar seu chefe de inteligência para ajudar na investigação.

AFP |

 

O general Ahmed Shuja Pasha, que dirige o poderoso Inter-Services Intelligence (ISI), vai deixar rapidamente Islamabad para compartilhar informações com os investigadores na Índia, anunciou o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, em discurso na televisão.

Resposta a um pedido da Índia, esta é uma atitude considerada sem precedente para os dois países. Os dois "irmãos-inimigos" do sul da Ásia , que se enfrentaram em três guerras desde sua criação em 1947, acusam regularmente seus serviços de inteligência de tentativas respectivas de desestabilização.

"O primeiro-ministro (indiano) Manmohan Singh me pediu que enviasse à Índia o chefe do ISI para ajudar na investigação e para compartilhar informações", anunciou pouco antes o porta-voz Gilani à AFP.

Na televisão, o chefe do governo paquistanês negou toda a responsabilidade de seu país. "Ele repetiu, não temos nada a ver com os ataques de Mumbai", insistiu Gilani. "Queremos cooperar, não temos nada a esconder", acrescentou, explicando a decisão de aceitar o pedido indiano.

O ministro indiano dos Assuntos Exteriores, Pranab Mukherjee, afirmou pouco antes que "elementos no Paquistão eram responsáveis" pelos ataques realizados pelos islamitas em Mumbai. A prova que sustenta esta acusação "não pode ser divulgada por enquanto", acrescentou.

O primeiro-ministro indiano havia ameaçado quinta-feira os países vizinhos de represálias se continuassem abrigando os autores dos ataques na Índia. Estes países "terão um preço a pagar se não adotarem as medidas necessárias", advertiu Singh.


Policias cercavam o Hotel Oberoi/Trident antes de resgatar os reféns / AP

A cada atentado cometido em seu território, a Índia acusa quase sistematicamente seu inimigo de apoiar, senão de manipular, os grupos fundamentalistas muçulmanos responsáveis pela autoria. O Paquistão desmente sempre e acusa em contrapartida a Índia de querer desestabilizar Islamabad.

Os ataques de Mumbai foram imediatamente assumidos na noite de quarta-feira por um grupo islamita desconhecido, que se identificou como Deccan Mujahideen. Mas, rapidamente a imprensa indiana citou a pista do Lashkar-e-Taïba, um grupo fundamentalista muçulmano paquistanês ativo no oeste da Índia e que exige a independência da Caxemira indiana, de maioria muçulmana.

O Lashkar desmentiu quinta-feira qualquer envolvimento e condenou os ataques.

A Índia sempre acusou Islamabad de apoiar os grupos islamitas- às vezes até indianos- que garantem combater para defender a maioria muçulmana "perseguida", segundo eles, pela maioria hindu.

Estes grupos são suspeitos de serem apoiados e treinados pela Al-Qaeda e os talibãs paquistaneses, com redutos nas zonas tribais no noroeste do Paquistão e que decretaram, em 2007, a jihad, a guerra santa, contra Islamabad, cometendo, desde então, a onda de atentado mais sangrenta da história do Paquistão.

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