Acusado de ter sido guarda nazista diz que foi vítima de Hitler

Um homem acusado de ajudar a matar quase 28 mil judeus em um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial disse nesta terça-feira em um tribunal em Munique, no sul da Alemanha, que é uma das vítimas de Hitler. John Demjanjuk, de 90 anos, nega ter sido guarda do campo de prisioneiros de Sobibor, durante a ocupação nazista da Polônia.

BBC Brasil |

Em declaração lida por seu advogado no tribunal, ele disse que foi "deportado à força para a Alemanha" e usado para "trabalho escravo".

"Eu acho uma injustiça insuportável que a Alemanha esteja tentando transformar a mim, um prisioneiro de guerra, em um criminoso de guerra com este julgamento", disse a nota.

Ele disse que considera o julgamento uma forma de tortura.

"Responsabilizo a Alemanha por ter perdido minhas razões para viver", prossegue a nota.

A família do réu, que nasceu na Ucrânia e trabalhou na indústria automobilística nos Estados Unidos, disse que o estado de saúde dele é precário e que é pouco provável que ele sobreviva ao julgamento.

Segundo julgamento
A mensagem foi a primeira emitida por Demjanjuk desde o início de seu julgamento, em novembro de 2009.

O réu permaneceu imóvel enquanto a declaração era lida. Médicos dizem que ele tem condições de ser julgado embora com limitações auditivas.

Esta foi a segunda vez que John Demjanjuk apareceu em um tribunal.

Há duas décadas ele foi sentenciado à morte em Israel, condenado por ser um guarda no campo de extermínio de Treblinka apelidado de Ivã, o Terrível, por seus métodos sádicos.

Mas a sentença foi anulada após o surgimento de provas de que outra pessoa seria provavelmente o guarda com esse apelido.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG