Acusado de recrutar membros da Al Qaeda boicotará julgamento em Guantánamo

Washington, 15 ago (EFE) - Ali Hamza Ahmed Suleiman al-Bahlul, acusado de recrutar membros da Al Qaeda, abandonou hoje a audiência do julgamento contra si em Guantánamo por considerá-lo uma farsa legal, e assegurou que só voltará ao tribunal para ouvir a sentença. O iemenita, que supostamente foi o secretário pessoal do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, abandonou no meio da audiência preliminar a comissão militar que o julgará por conspiração, incitação ao assassinato e apoio ao terrorismo, e afirmou que não voltará até saírem o veredicto do júri e a sentença. Não tenho confiança nesta farsa legal. Continuem esse jogo ilegal como quiserem, disse Bahlul através de um intérprete aos membros da comissão militar.

EFE |

Ele também não quis que seu advogado militar, o major da Força Aérea David Frakt, que tinha sido nomeado pelo Pentágono, o defendesse no julgamento, um direito que quis exercer ele mesmo, mas o juiz Ronald Gregory negou essa possibilidade.

O advogado militar do réu invocou o direito de seu cliente a um julgamento rápido e explicou que se aterá ao desejo do acusado de prescindir da defesa.

Isso fará com que haja um julgamento sem acusado e sem defesa.

O advogado de Bahlul afirmou depois que talvez seu cliente pense que "este circo já durou bastante".

O promotor principal de Guantánamo, Lawrence Morris, afirmou que seria o melhor para a Justiça se o acusado participasse do processo, mas, em qualquer caso, assegurou, procurará que se celebre um julgamento justo para o iemenita.

Os críticos afirmam que um julgamento parcial prejudicaria a imagem do sistema judiciário dos primeiros tribunais de crimes de guerra nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, porque é impossível realizar um processo justo com a única presença da Promotoria, segundo a União de Liberdades de Civis (ACLU).

A Promotoria terá que apresentar as provas sem que a defesa possa intervir e defender seu cliente perante o júri, que só escutará uma versão dos fatos.

Se for condenado, Bahlul, de 39 anos, pode pegar prisão perpétua.

O réu é acusado de preparar material de recrutamento para a Al Qaeda, incluindo um vídeo que glorifica o atentado que matou 17 marines americanos do destróier USS Cole, no porto de Áden, no Iêmen, em 2000.

A Promotoria também o acusa de gravar a última vontade de Mohammed Atta, um dos líderes e pilotos suicidas dos atentados de 11 de setembro de 2001, e de estabelecer as comunicações para Osama bin Laden.

O Pentágono prevê denunciar judicialmente cerca de 80 dos cerca de 265 presos de Guantánamo. EFE cae/db

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