Acusado de massacre afegão não tinha problema com bebida, diz advogado

De acordo com NYT, porém, sargento dos EUA suspeito de matar 16 civis afegãos abusava de álcool e tinha problemas no casamento

iG São Paulo |

O sargento americano suspeito de assassinar no domingo 16 civis afegãos , incluindo nove crianças e três mulheres, devia estar sob estresse, mas não há informações de que tivesse problemas no casamento ou com bebidas alcoólicas, disse nesta sexta-feira seu advogado, John Henry Browne. "Quem não estaria sob estresse em uma zona de combate?", indagou Browne, segundo a CNN.

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AP
Afegãos protestam contra morte de civis afegãos por soldado americano em Jalalabad (13/3)
As declarações foram feitas no dia em que o militar, cuja identidade não foi divulgada, deve chegar à base de Fort Leavenworth, no Kansas, depois de ter sido retirado do Afeganistão na quarta-feira. Em Fort Leavenworth fica a única prisão de segurança máxima do Exército americano. O massacre complicou ainda mais as difíceis relações diplomáticas entre Washington e Cabul. Os EUA invadiram o Afeganistão no final de 2001, após os ataques do 11 de Setembro .

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As afirmações do advogado se referem a informações divulgadas pelo New York Times de que o militar de 38 anos vinha bebendo - uma violação das regras militares em zona de combate - e sofria de estresse relacionado à sua quarta missão de combate e tensão com sua mulher, com quem tem dois filhos de 3 e 4 anos.

“Somando tudo, foi uma combinação de estresse, álcool e problemas domésticos - ele simplesmente perdeu o controle", disse ao jornal um oficial que foi interrogado na investigação e falou sob condição de anonimato pelo fato de o soldado ainda não ter sido indiciado.

O advogado Browne, porém, disse saber poucas informações sobre o ataque do dia 11, mas contestou as informações de que a combinação de álcool, estresse e problemas domésticos o fez surtar. De acordo com ele, a família do militar não tem conhecimento de nenhuma questão com bebidas. Ele também descreveu o casamento do casal como "fabuloso".

O soldado é acusado de realizar uma aterrorizante série de ataques em vilas de Alkozai e Balandi, no distrito de Panjwai, na Província de Kandahar, em que tentou de porta em porta até eventualmente conseguir entrar e matar em três casas diferentes. O homem reuniu 11 corpos da mesma família, incluindo os de quatro meninas de menos de 6 anos, e ateou fogo neles, disseram testemunhas.

Enquanto alguns afegãos especularam que houve envolvimento de outros militares , autoridades disseram que o suposto atirador agiu sozinho depois de deixar sua base no sul do Afeganistão, caminhando primeiro para uma vila e então para agrupamento de casas a menos de 500 metros de distância.

Uma gravação de câmeras de segurança mostra o soldado voltando mais tarde para a base com um xale afegão cobrindo a arma em suas mãos, de acordo com um oficial afegão que viu as imagens. No vídeo, ele caminha para a base, põe a arma no chão e levanta os braços para se entregar.

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Essa era a primeira vez que o soldado, que previamente havia sido enviado ao Iraque e cujo nome não foi divulgado, atuava no Afeganistão. Com 11 anos de serviço no Exército, ele perdeu parte do pé por causa de ferimentos sofridos no Iraque em uma de suas três missões no país. De acordo com o advogado, ele não queria ter sido enviado para o Afeganistão e, um dia antes do massacre, viu um companheiro perder a perna em uma explosão.

O soldado, que recebeu treinamento para ser franco-atirador, era de uma brigada Stryker de Washington e foi designado para um programa de estabilização na vila de Belambai, a menos de 1 km de onde aconteceu o ataque. Ele foi enviado ao Afeganistão em 3 de dezembro, mas assumiu a função em Belambai em 1º de fevereiro.

As operações de estabilização fazem parte dos esforços da Otan para fazer a transição para fora do país asiático. Eles atuam em conjunto com habitantes escolhidos por líderes locais para se tornar uma força de vigilância armada e rastrear membros da milícia islâmica do Taleban.

A 3ª Brigada Stryker, do qual o suspeito fazia parte, foi a primeira unidade militar americana a usar um veículo homônimo de infantaria leve, de oito rodas, desenvolvido para tornar o Exército mais ágil em uma era pós-Guerra Fria. A brigada foi enviada três vezes ao Iraque antes de mandar 2,5 mil soldados para o Afeganistão pela primeira vez em dezembro.

O banho de sangue de domingo é o terceiro incidente que contribuiu para elevar a tensão entre EUA e Afeganistão. Há poucas semanas, a queima por soldados americanos de exemplares do Alcorão na Base de Bagram (norte) - ato considerado uma blasfêmia - desencadeou uma onda de violentas manifestações antiamericanas com quase 40 mortos. No início do ano, um vídeo pareceu mostrar marines (fuzileiros navais) urinando sobre corpos de afegãos .

*Com AP e AFP

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