Acusado de homicídio que envolveu membros do IRA é absolvido no Ulster

Dublin, 27 jun (EFE).- O norte-irlandês Terence Davison foi absolvido hoje por um tribunal de Belfast da acusação de assassinar Robert McCartney, esfaqueado em 30 de janeiro de 2005, em um bar no Ulster, supostamente por membros do Exército Republicano Irlandês (IRA).

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Davison, de 51 anos, era uma das cerca de 70 pessoas que estavam no interior do pub Magennis quando aconteceu a briga, da qual também participaram vários membros do Sinn Féin, braço político do IRA.

Também foi descartada a possibilidade de outros dois indivíduos, James McCormick e Joseph Fitzpatrick, de 39 e 47 anos, respectivamente, terem participado do confronto.

A maioria das provas apresentadas durante o julgamento contra o principal acusado proveio das declarações da chamada "Testemunha C", a quem o juiz instrutor elogiou por sua "coragem e honestidade".

A família do falecido havia dito após o assassinato que o movimento republicano montou um "muro de silêncio e intimidação" contra as possíveis testemunhas.

Embora o magistrado tenha destacado hoje a "genuína honestidade" da testemunha, afirmou que sua versão dos fatos continha irregularidades e que, portanto, mantinha dúvidas sobre o que "ela (a testemunha) acreditava ter visto".

Após a morte de Robert McCartney, de 33 anos e simpatizante da formação republicana, sua família iniciou uma campanha nacional e internacional para que os responsáveis fossem levados à Justiça, ao mesmo tempo em que denunciou que testemunhas do crime haviam sido intimidadas pelo grupo armado.

Em resposta, o IRA expulsou três de seus voluntários e se ofereceu para "atirar" contra os que mataram McCartney - o que foi rejeitado pela família.

Diante da falta de avanços na investigação, os McCartney chegaram a apresentar seu caso em Washington, onde obtiveram o apoio do presidente americano, George W. Bush, e de vários importantes senadores, entre eles Hillary Clinton, Edward Kennedy e John McCain.

Durante os últimos anos, os familiares denunciaram que membros do IRA ameaçaram incendiar suas casas em Short Strand, território católico dentro do leste de Belfast (área de maioria protestante), caso eles não voltassem atrás em sua luta para levar os assassinos à Justiça.

A campanha também contribuiu para pressionar o Sinn Féin a reconhecer, em janeiro de 2007, a autoridade da Polícia (PSNI) e da Justiça norte-irlandesa, um gesto fundamental para a formação, quatro meses depois, de um Governo autônomo de poder compartilhado entre católicos e protestantes na região. EFE ja/fh/gs

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