Acusado de genocídio, o presidente sudanês visita Darfur

O presidente sudanês Omar al-Bashir, ameaçado com uma ordem de prisão internacional pelo genocídio em Darfur, chegou nesta quarta-feira a essa província do oeste do Sudão que se encontra em guerra civil desde 2003.

AFP |

A visita de Bashir ocorre depois que o promotor-geral da Corte Penal Internacional (CPI), Luis Moreno-Ocampo, pediu aos juízes dessa Corte que emitam uma ordem de prisão contra o presidente sudanês por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Darfur, acusando-o de querer "pôr ponto final à história dos povos Fur, Masalit e Zaghawa".

Bashir foi recebido por uma guarda de honra militar no aeroporto de El Facher, capital do Estado de Darfur-Norte, segundo um fotógrafo da AFP.

Muito sorridente, o presidente cumprimentou autoridades locais que foram recebê-lo, no início de uma visita de dois dias à província, a primeira desde 2007.

Bashir afirmou após a sua chegada em El Facher que "o que Ocampo disse sobre Darfur são mentiras".

"Devemos encontrar uma solução para o problema de Darfur", disse diante de centenas de deslocados pela violência que manifestavam seu apoio ao presidente.

"Vim aqui, a Darfur, para dizer apenas uma coisa. Cada pessoa deslocada deve retornar para sua vila. O governo fornecerá ajuda social", acrescentou.

Depois de El Facher, onde está situado o quartel-general da força mista ONU-União Africana (Minuad), o presidente sudanês visitará Nyala, no sul, e Geneia, no oeste.

Em cada etapa, discursará em cerimônias populares organizadas em sua homenagem e se reunirá com autoridades locais e representantes de partidos políticos, segundo a Presidência sudanesa.

Em Nyala, Bashir inaugurará vários projetos de desenvolvimento. Na quinta-feira viajará para Geneia, próximo à fronteira chadiana, antes de voltar para Cartum.

A visita do presidente a Darfur é realizada depois do anúncio da Minuad de que um alto membro de segurança da ONU estava hospitalizado depois de ter sido atacado por soldados do governo sudanês, que o haviam levado a uma base militar.

O incidente foi registrado quando uma autoridade da ONU começou a tirar fotos em um mercado de El Facher, para investigar um acidente de trânsito envolvendo funcionários da organização, um veículo militar e um táxi, indicou a Minuad.

"Embora possamos dizer que se trata de um incidente isolado, a Minuad condena ataques como esse contra seu pessoal, que está aqui para ajudar a instaurar a paz para o povo de Darfur", acrescentou.

Em Darfur, os confrontos armados, a fome e as doenças deixaram até 300.000 mortos, segundo a ONU, 10.000 segundo o Sudão.

jm/dm

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