Acusado de atentado contra USS Cole enfrenta tribunal em Guantánamo

Saudita apontado como líder de ataque contra navio americano em 2000 é julgado por corte militar na base americana em Cuba

iG São Paulo |

O principal acusado de liderar o atentado contra o navio americano USS Cole em 2000 no Iêmen compareceu nesta quarta-feira a um tribunal militar na base americana de Guantánamo, em Cuba. Esse é o primeiro caso desde que o presidente Barack Obama recuou e ordenou a retomada dos polêmicos julgamentos militares.

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Reuters
Ilustração mostra Nashiri durante julgamento

O saudita Abd al-Rahim al-Nashiri é acusado de comandar o ataque que deixou 17 marines mortos e 40 feridos. Ele é acusado de conspiração para cometer atos de terrorismo, assassinato em violação a leis de guerra, atos de terrorismo e ataques contra civis, e caso seja considerado culpado poderá ser condenado à morte.

Vestido com uniforme de prisioneiro, Nashiri, 46 anos, foi levado a um tribunal pela primeira vez nesta quarta desde que foi detido em 2002. De acordo com a AFP, o réu sorriu diversas vezes para o juiz quando era questionado.

O caso de Nashiri ficou conhecido pois o prisioneiro sofreu torturas conhecidas como "waterboarding" ou afogamento simulado.

Enfrentando acusações de assassinato no âmbito das violações das leis militares, Nashiri não pode apelar na primeira audiência do tribunal. Ele disse que queria continuar a ser representado pela equipe de advogados cedida a ele. "Nesse momento, esses advogados sabem o trabalho deles", disse.

Segundo a BBC, ele recusou trocar seu uniforme branco de prisioneiro por um vestuário comum nas audiências. Nashiri também afirmou ao tribunal que ele participará de todas as sessões, apesar de ter a escolha de não fazê-lo.

Provisoriamente, o juiz definiu a data do julgamento para novembro de 2012. Esse dia poderá ser adiado por meses ou anos, uma vez que seus advogados tentam por em dúvida quaisquer declarações de Nashiri afirmando que teriam sido feitas como resultado de torturas.

"Por torturar Nashiri e submetê-lo a tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, os EUA perderam seu direito de julgá-lo e, certamente, de matá-lo", alegou sua equipe de advogados na moção.

O ataque ao USS Cole perpetrado pela Al-Qaeda no porto de Aden no Iêmen foi feito com uma lancha repleta de explosivos, abrindo um buraco de 10 metros de diâmetro no navio americano.

A audiência na base de Guantánamo marca a retomada dos julgamentos militares no local, o que Obama tentou impedir que acontecesse. Houve um congelamento em novos casos desde janeiro de 2009, mas o presidente americano anunciou em março desse ano que os julgamentos recomeçariam.

Ele tentou mas não conseguiu chegar a um acordo sobre formas alternativas de lidar com Nashiri, que seria julgado pouco antes de terem anunciado o congelamento.

Com informações da AFP e BBC

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