Londres, 17 nov (EFE).- Um dos acusados pelos atentados com carro-bomba contra o aeroporto de Glasgow, na Escócia, e em Londres, em junho de 2007, admitiu hoje perante um tribunal que, segundo a legislação britânica, é um terrorista.

O médico de origem iraquiana Bilal Abdulla, de 29 anos, era passageiro do agora falecido Kafeel Ahmed no jipe lançado contra um terminal do aeroporto escocês, em 30 de junho do ano passado.

Segundo a acusação, no dia anterior os dois tinham colocado em pleno centro de Londres dois carros-bomba que não chegaram a explodir.

Na audiência de hoje, Abdulla afirmou que, apesar de tudo, não fazia parte de uma conspiração para matar, mas tanto ele quanto Ahmed só queriam chamar a atenção sobre a situação no Iraque e no Afeganistão.

Abdulla reconheceu que, quando foi detido após o ataque ao aeroporto, disse à Polícia algo relacionado a ser um terrorista.

"Pela definição da lei, segundo a legislação britânica, (sou) sim. Meu objetivo é mudar a opinião das pessoas através da violência, utilizando artefatos incendiários", admitiu.

No entanto, Abdulla disse que não tinha planejado o atentado de Glasgow.

Após os atentados com os dois carros-bomba em Londres, ele e Ahmed - que morreu posteriormente por causa das queimaduras sofridas em Glasgow - pensaram em fugir para o Iraque através da Turquia, porque, segundo ele, seria "mais fácil desaparecer" nesse país.

Porém, segundo Abdulla, quando eles se aproximavam do aeroporto, Ahmed conduziu repentinamente o veículo - que estava carregado de botijões de gás e gasolina - em direção ao terminal.

Cruzamos a barreira, "eu me assustei e gritei: 'O que você está fazendo? O que está acontecendo?'. Nunca tinha visto a cara de Kafeel (Ahmed) daquela maneira. Estava decidido, seu pé estava no acelerador e não me respondeu", disse.

"Desde o primeiro dia, dissemos que não iríamos matar ou ferir nenhum inocente. Se este incidente tivesse sido para matar gente ou causar uma explosão, não o teríamos feito assim", declarou perante o júri.

Abdulla está sendo julgado em Londres junto ao neurologista jordaniano Mohammed Asha, de 28 anos, e os dois são acusados de planejar assassinatos e causar explosões que ameaçaram a vida da população. EFE jm/ab/rr

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