Acusada de matar a filha na Itália se cala em depoimento

TREVISO - Simone Moreira, a brasileira presa na Itália acusada de ter matado a filha de dois anos, ficou em silêncio e não respondeu às perguntas durante depoimento na última terça-feira, segundo o jornal italiano Corriere Della Sera.

Redação com agências internacionais |

O funeral da filha de Simone, Giuliana Favaro, está marcado para esta quarta-feira, na cidade de Ponte de Piave, na Itália. A cerimônia será celebrada na paróquia da cidade, que fica próxima a Vigonovo, onde Giuliana morava com o pai, o italiano Michele Favaro, que ficou com a guarda da menina após se separar de Simone.


Simone Moreira e seu ex-marido Michele Favaro, em foto de arquivo / AE

Simone e o italiano Michele Favaro conheceram-se em 2006 em Copacabana, zona sul do Rio. Três meses depois, casaram-se e mudaram-se para a Itália. Em dois meses, ela engravidou de Giuliana. Quando eles se separaram, há um ano, a criança ficou na guarda do pai.

A menina morreu na quarta-feira passada na cidade de Oderzo, na região de Treviso, no norte da Itália, ao cair no rio Monticano. A morte foi decorrente de "asfixia por afogamento", segundo dados preliminares da autópsia, cujo resultado oficial ficará pronto na semana que vem.

Corte no joelho

Legistas encontraram um profundo corte no joelho esquerdo da menina Giuliana Favaro. O detalhe, revelado na última terça-feira por jornais locais, foi interpretado de formas distintas pelos procuradores envolvidos no caso e pela defesa da brasileira. Para a acusação, esse é mais um indício de que a queda da garota não foi acidental. O advogado de Simone, por sua vez, diz se tratar de um sinal de que a criança caiu sozinha.

Por meio do exame de reação vital, peritos concluíram que Giuliana estava viva quando machucou o joelho. Os exames toxicológico e nas vísceras só devem ficar prontos no fim do mês. O que mais chamou atenção dos procuradores, no entanto, foi o fato de o corpo da garota não apresentar mais ferimentos externos - uma característica de quedas acidentais. No ponto em que Giuliana teria caído, diz o jornal "La Tribuna di Treviso", há duas hastes metálicas que certamente causariam ferimentos, caso ela tivesse mesmo escorregado.

Mãe acusada

Segundo o procurador italiano Antonio Fojadelli, a mãe de Giuliana, a brasileira Simone Moreira, é responsável pela morte da filha. Ele não acredita na versão fornecida pela defesa de Simone, que diz que a morte de Giuliana foi um acidente.

Ao falar com seu advogado no domingo, Simone teria repetido que a morte da filha foi um acidente, como já havia dito em seu primeiro depoimento à policia, na noite de quarta-feira.

Simone teria afirmado que estava com a filha no colo, quando a colocou no chão para ir buscar os sapatos no carro e ver se havia mensagens no celular. Num momento de descuido, Giuliana teria caído no rio.

A garota foi resgatada com vida, mas morreu horas depois. No hora da queda, as cercanias do rio estavam escuras por causa de um blecaute que atingiu parte da cidade de Oderzo.

A versão inicial apresentada pela mãe não despertou suspeitas. Mas, ao verificarem o local e as circunstâncias do suposto acidente, policiais concluíram que a história contada pela brasileira era inconsistente - sobretudo porque o rio é quase todo cercado por grades.

"Estado de choque"

De acordo com reportagem da BBC Brasil, funcionários do consulado do Brasil em Milão afirmaram que "Simone está em estado de choque". A representação diplomática brasileira no norte da Itália, no entanto, não tem autorização para encontrar Simone no presídio.

O contato do consulado é apenas com os advogados da brasileira, sobretudo para fornecer a documentação necessária para que ela possa usufruir da defesa gratuita.

* Com Agência Estado, EFE e informações da BBC

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