Acuado, Berlusconi enfrenta votação-chave no Parlamento

Votação sobre Orçamento deve indicar se premiê italiano mantém apoio da maioria dos parlamentares, crucial para ficar no cargo

iG São Paulo |

O premiê da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta nesta terça-feira no Parlamento uma votação-chave sobre o Orçamento, em meio ao temor de que o país poderá ser a próxima vítima da crise das dívidas na zona do euro . A votação desta terça-feira poderá indicar se Berlusconi, que já sobreviveu a mais de cinquenta votos de confiança, mantém ou não o apoio da maioria do Parlamento.

Na segunda-feira, Berlusconi negou que pretenda renunciar , após o custo para a rolagem da dívida italiana ter atingido um nível recorde por conta dos temores de que o país não tem capacidade de pagar a dívida.

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AFP
Berlusconi participa de entrevista coletiva durante cúpula do G20 em Cannes, na França (04/11)

Especula-se que Berlusconi não tenha mais a maioria no Parlamento, após relatos de que alguns deputados ligados ao governo retiraram seu apoio ao premiê . Berlusconi mantém a afirmação de que seu governo tem o apoio necessário para se manter, mas se ele perder a votação do Orçamento nesta terça-feira, é difícil imaginar que ele possa continuar no cargo.

Apesar de ter sobrevivido a dezenas de votos de confiança no passado, Berlusconi pode enfrentar dificuldades para sobreviver mais uma vez, já que a atual crise não é somente política, mas está também ligada aos mercados financeiros internacionais, que perderam a confiança no premiê para gerir a economia do país. 

Muitos analistas veem o atual governo demasiadamente enfraquecido para impor os cortes de gastos necessários para conter o déficit público e o aumento da dívida. Apesar de ter um déficit público relativamente baixo, de 3,7% do PIB, a Itália causa preocupações entre os investidores, com uma combinação de baixo índice de crescimento e uma dívida de 1,9 trilhão de euros.

Na segunda-feira, as principais bolsas europeias subiram em meio à expectativa de uma saída de Berlusconi, mas voltaram para o vermelho após ele negar a renúncia em sua página no Facebook. “Os rumores de minha renúncia são infundados", disse o premiê. Antes, jornais italianos tinham informado que a renúncia do líder seria anunciada em questão de horas.

No sábado, milhares de italianos participaram de uma manifestação em Roma convocada pelo Partido Democrata (PD) para pedir a renúncia do premiê.

O ministro italiano de Administração Pública, Renato Brunetta, admitiu em entrevista à TV nesta segunda-feira que o governo tem um “problema numérico” no Parlamento e que, se não houver maioria na votação de terça-feira, “todo mundo vai para casa”. O ministro do Interior, Roberto Maroni, concordou e acrescentou: “É inútil insistir.”

No mês passado, Berlusconi foi submetido a um voto de confiança e conseguiu o apoio da maior parte do Parlamento a uma moção de confiança ao seu governo. Caso saísse derrotado na ocasião, o premiê teria de renunciar ao cargo.

A vitória de Berlusconi, porém, foi apertada: 316 parlamentares votaram a favor da moção de confiança, enquanto 301 votaram contra.

Com BBC, EFE e Reuters

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