Acordos energéticos com Brasil e Argentina dominam campanha no Paraguai

ASSUNÇÃO - Os lucros obtidos pelo Paraguai nas usinas hidrelétricas de Itaipu, que compartilha com o Brasil, e de Yacyretá, com a Argentina, relegaram a um segundo plano as propostas eleitorais dos principais candidatos à Presidência.

EFE |


Lugo, Oviedo e Blanca: os três favoritos no Paraguai / AFP

A revisão dos tratados destas duas represas no rio Paraná, especialmente a de Itaipu, a maior do mundo em funcionamento, foi uma das principais propostas de campanha do ex-bispo Fernando Lugo , candidato da opositora Aliança Patriótica para a Mudança (APC) e que lidera as pesquisas de intenção de voto no Paraguai.

Lugo reconheceu recentemente que será muito difícil renegociar o Tratado de Itaipu, por causa da forte oposição brasileira, mas afirmou que se for eleito lutará para aumentar o valor que o Paraguai recebe pelo excedente de eletricidade que fornece ao Brasil.

O acordo de construção de Itaipu dividiu em partes iguais a produção de energia, não prevê a venda a terceiros e estabelece que o excedente de cada parceiro seja vendido ao outro a preço de custo.

Por isso, o Paraguai cede a maior parte da energia a que tem direito abaixo dos preços de mercado, o que, segundo diversos especialistas, deve ser corrigido. No entanto, as autoridades brasileiras argumentam que a renegociação é inviável antes do fim do contrato, em 2023.

Lugo defendeu durante a campanha que o Paraguai deveria receber do Brasil cerca de US$ 2 bilhões pela eletricidade. Em 2007, o país recebeu US$ 307 milhões de Itaipu e pouco mais de US$ 100 de Yacyretá, segundo dados oficiais.

Blanca Ovelar , do Partido Colorado, no poder há 61 anos, propõe a criação de uma comissão de analistas representada por todos os setores antes de negociar com Brasil e Argentina.

Mas o general reformado Lino Oviedo , candidato presidencial da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), terceira força da oposição, afirmou que "é uma perda de tempo" conversar, e disse que não quer "acabar com a paciência" do Brasil.

Tema polêmico nos debates

A questão energética foi tema obrigatório nos debates que contaram com a participação de Lugo, Blanca e Oviedo, os três primeiros colocados nas pesquisas, assim como Pedro Fadul, do Partido Pátria Querida (PPQ), segunda força da oposição.

No entanto, para preservar sua candidatura, Lugo optou por não participar do último debate televisivo antes das eleições, na quinta-feira passada, alegando que "não existem, neste momento, as condições políticas para poder participar de um encontro com estas características".

Os outros três principais candidatos aproveitaram a ausência para criticá-lo por sua promessa de conseguir a soberania energética e sua intenção de exigir a renegociação do Tratado de Itaipu com o objetivo de aumentar o lucro do país.

Além disso, consideraram que é preciso ser prudente com o Brasil e que o Paraguai deve utilizar em projetos industriais o excedente energético que agora vende ao país vizinho a preço de custo.

Durante a campanha, Oviedo usou um anúncio publicitário para ligar sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da governante da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

Essa campanha teve como objetivo prometer vantagens dessas represas e vincular o ex-bispo com os governantes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez.

No último debate televisivo antes das eleições, o general reformado prometeu impulsionar a agroindústria com a eletricidade de Itaipu, para deixar de depender da exportação de matérias-primas como a soja, o algodão e o milho.

Outras propostas

Os candidatos, exceto no tema energético, apresentaram propostas muito menos concretas para enfrentar os graves problemas do país como a pobreza, corrupção, saúde, educação, emigração e segurança.

Segundo dados oficiais, 35,5% dos paraguaios vivem na linha de pobreza e 19,4% na miséria. No ano passado, 60 mil pessoas emigraram, em razão da falta de emprego no país.

Oviedo afirmou que o Paraguai terá um "tratamento intensivo na parte social", e assegurou que se for eleito haverá "saúde e educação de graça", alimentos e subsídios para os pobres, e obras de infra-estrutura.

Já Blanca afirmou que é preciso enfrentar a pobreza com "trabalho", por meio de investimentos em obras públicas, enquanto Lugo destacou a necessidade de "mudar as estruturas injustas" para vencer os problemas do Paraguai.

Política externa

Com relação à política externa, todos coincidem em que se deve exigir uma maior eqüidade no Mercosul, criado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de abrir relações políticas com a China sem romper com Taiwan, que tem nos paraguaios os únicos aliados na América do Sul.

Além das eleições presidenciais, os paraguaios escolhem, neste domingo, senadores, deputados federais, parlamentares do Mercosul, governadores e deputados estaduais (membros das chamadas Juntas Departamentais).

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