Acordos de Defesa devem marcar encontro entre Lula e Sarkozy

Em sua última viagem oficial como líder da União Européia, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, terá no Brasil uma agenda repleta de anúncios positivos, mas precisará lidar com alguns assuntos delicados na relação bilateral, como a imigração. Do lado positivo da agenda, o destaque são os acordos na área de defesa.

BBC Brasil |

Um deles prevê a construção, no Brasil, de 50 helicópteros com tecnologia francesa que serão usados pela Força Aérea Brasileira.

Também na área de defesa deverá ser confirmada a compra pelo Brasil de quatro submarinos convencionais do tipo Scorpenes, além da estrutura de um submarino movido a propulsão nuclear que será construído pela Marinha. De acordo com um representante do governo francês, uma parte dos submarinos convencionais será construída no Brasil.

Os dois países deverão ainda anunciar o início de uma parceria na área de educação, para troca de experiências em projetos de cursos profissionalizantes.

Imigração

Já os assuntos considerados delicados não fazem parte da agenda oficial, mas poderão ser tratados, segundo o Itamaraty, em conversas informais.

Um deles diz respeito ao projeto europeu conhecido como Imigração Seletiva. A idéia, liderada pela França e que recebeu aprovação da União Européia, oferece vantagens para imigrantes "qualificados" (com pelo menos três anos de nível superior), ao mesmo tempo em que impõe uma série de restrições aos que não cumprirem determinados requisitos. O projeto tem previsão para entrar em vigor em 2011.

O assunto não é visto com bons olhos pelo Itamaraty, que chegou a divulgar uma nota repudiando o projeto onde afirma que as medidas "generalizam critérios seletivos e abrem margem a controles que, na prática, podem se revelar arbitrários e atentatórios".

De acordo com o Itamaraty, o assunto não faz parte da pauta do encontro entre os dois presidentes, no Rio de Janeiro, "mas poderá ser abordado". Se isso acontecer, o argumento brasileiro junto a Sarkozy será no sentido de "mostrar os aspectos positivos da imigração".

Falando à BBC Brasil em Paris, Jean-David Levitte, conselheiro diplomático de Sarkozy, disse que acha que a proposta para a imigração "não foi bem compreendida na América Latina".

Segundo ele, as conversas com Lula sobre o assunto serão apenas para detalhar as novas regras.

O conselheiro do presidente francês admitiu, no entanto, que talvez o tema da imigração não conste na declaração final da Cúpula União Européia-Brasil por falta de acordo.

'Viés político'

Outros temas com potencial de desacordo entre Brasil e União Européia dizem respeito às metas para redução de emissões de carbono e à liberalização do comércio.

Apesar desses temas mais delicados, a possibilidade de desentendimentos entre Brasil e França é remota, na avaliação do ex-ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia.

"Certamente o projeto de Imigração Seletiva é uma questão desagradável, mas os dois países têm uma agenda muito positiva", diz.

Segundo Lampreia, acordos na área defesa sempre têm um "viés político" e a escolha por tecnologia francesa não é apenas uma decisão técnica.

"A França está mais disposta a transferir tecnologia do que os americanos. Mas temos de considerar também o caráter político dessa decisão", diz.

Na avaliação do ex-ministro, entre as grandes potências, a França é uma das mais abertas ao Brasil. "Entre os grandes, é o país que está mais disposto a tratar o Brasil como um país de peso".

Rafale

Ainda segundo Lampreia, os acordos na área de defesa consolidam a posição da França como um dos principais exportadores de armamentos do mundo.

O Rafale, do grupo francês Dassault, está entre os três finalistas de uma licitação da Força Aérea Brasileira para aquisição de novos equipamentos.

Os outros dois concorrentes são o F-18, da Boeing (americana) e o Gripen, fabricado pela empresa sueca Saab. Segundo especialistas, o caça francês é o favorito.

Nos últimos cinco anos, as importações de armamentos franceses no Brasil cresceram 175%, enquanto as compras dos Estados Unidos, outro tradicional fornecedor, aumentaram 38%.

O governo francês anunciou recentemente que pretende ampliar sua participação no mercado mundial de armas dos atuais 6% para 13%.

*Colaborou Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil

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