Acordo suspende protestos de camponeses no sul do Peru

Lima, 23 jun (EFE).- O presidente do Conselho de Ministros do Peru, Yehude Simon, e os representantes das comunidades camponesas da região andina de Apurímac alcançaram nesta terça-feira um acordo para a suspensão dos protestos nessa localidade.

EFE |

Representantes dos camponeses aceitaram os termos de um acordo oferecido por Simon e decidiram assinar uma ata de 32 pontos que suspende o protesto até setembro, informou a emissora de TV local "Canal N".

Segundo a informação, ficou decidiu suspender a greve até setembro, à espera de que o Governo cumpra seu compromisso de começar a construir uma estrada entre Abancay, a capital de Apurímac, e a vizinha região de Ayacucho.

O acordo tinha sido anunciado minutos antes pelo primeiro-ministro, que no entanto disse que não o assinaria se os camponeses exigissem qualquer condição e não suspendessem sua paralisação.

O presidente do Conselho de Ministros qualificou de "cívico e histórico" o dia de reuniões que aconteceu nessa empobrecida região do sul andino peruano, e disse que os acordos "terminarão satisfazendo a todas as partes".

"É um dia histórico, porque pela primeira vez os próprios camponeses falaram sobre suas necessidades, sobre o esquecimento histórico que sofrem", disse Simon à emissora "Radioprogramas del Perú" (RPP).

Simon assinalou ainda que ficou decido formar uma comissão "de longo prazo" para responder aos pedidos dos manifestantes, que iniciaram seu protesto há duas semanas.

As frentes camponesas de Apurímac iniciaram a greve indefinida em protesto contra a Lei das Águas e a Lei do Magistério, e em rejeição às concessões de mineração em sua jurisdição.

A Lei das Águas declara este recurso como patrimônio da nação e estabelece prioridades para seu uso, mas os críticos consideram que pode desembocar em sua privatização.

Já a Lei do Magistério pretende elevar o nível de profissionalização dos professores públicos através de exames periódicos de conhecimento, o que é rejeitado pelo sindicato dos professores.

Simon assinalou que nas conversas de hoje não foi discutida a possibilidade de derrubar qualquer lei, mas confirmou a atribuição de recursos para a construção da estrada entre Ayacucho e Abancay.

O primeiro-ministro peruano iniciou hoje uma maratona de reuniões com os representantes de diversas comunidades em greve do país, que espera concluir nesta quarta-feira para comparecer na quinta-feira a uma interpelação no Congresso.

Simon confirmou que viajará amanhã à localidade de Sicuani, em Cuzco, para se reunir com os camponeses que estão em greve por uma série de exigências, entre elas o fim da Lei das Águas e da concessão para a central hidroelétrica de Salcca Pucará.

"Tenho a esperança de que, assim como aconteceu aqui, os manifestantes tenham a grandeza de espírito de saber que com violência não se consegue nada. Vamos sentar e conversar, e cumpriremos o que pudermos cumprir", assinalou.

Simon e a ministra do Interior, Mercedes Cabanillas, serão interpelados pelos violentos incidentes ocorridos no dia 5 de junho na província de Bagua, durante um protesto das comunidades amazônicas que terminou com um saldo de 24 policiais e 10 civis mortos. EFE dub/mh

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