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Acordo sobre clima em 2009 perde força em encontro da ONU

Por Gerard Wynn e Alister Doyle POZNAN, Polônia (Reuters) - A recessão e a mudança de governo nos Estados Unidos tornam improvável que o mundo cumpra em 2009 a meta de assinar um acordo completamente novo para combater o aquecimento global, disseram delegados em um encontro climático da Organização das Nações Unidas (ONU).

Reuters |

Há um ano, 190 países decidiram trabalhar pela aprovação de um acordo climático abrangente no final de 2009, em um encontro em Copenhague. Mas negociadores e analistas que compareceram à uma reunião prévia em Poznan, Polônia, entre 1o e 12 de dezembro, dizem que o objetivo parece difícil de ser alcançado.

O mais longe que pode ser alcançado no ano que vem, para muitos, são os princípios para um pacto, ainda que alguns digam que isso seja muito pessimista.

"Uma meta adequada e um grande feito (em Copenhague) seria chegar a um acordo sobre os princípios a serem negociados, e não a um texto", disse Robert Stavins, professor de administração pública da Universidade de Harvard.

Com a recessão, a emissão de gases estufa pelos países desenvolvidos deve cair em cerca de 2 por cento no próximo ano, tornando outras ações menos urgentes, disse.

O prazo de 2009 foi estabelecido para assegurar que as novas metas de redução de emissão de gases possam ser ratificadas em todo o mundo antes da expiração das metas do Protocolo de Kyoto, em 2012.

Yvo de Boer, autoridade da ONU sobre mudança climática, insistiu que os países ricos deveriam concordar em 2009 com cortes na emissão de gases até 2020. Mas ele também afirmou que qualquer acordo deveria ser "ratificável", deixando muitas partes importantes para depois.

Uma meta em 2009 teria que incluir o financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a trabalhar mais contra o aquecimento global e precisaria tornar clara a estrutura institucional necessária, disse de Boer.

OBAMA

Todos os lados concordam que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, vai querer evitar os erros de Bill Clinton sobre o Protocolo de Kyoto. O ex-presidente democrata aceitou o acordo em 1997 para reduzir a emissão em 7 por cento até 2012, mas nunca mandou o texto para ratificação no Senado.

"Não serve para nós chegar a um acordo internacionalmente e esperar que nosso Congresso aprove isso", disse Harlan Wilson, negociador-chefe dos Estados Unidos. Alguns especialistas dizem que dezembro de 2009 será cedo demais para que o Senado norte-americano aprove qualquer lei.

Países em desenvolvimento como China e Índia querem ver os países desenvolvidos tomarem atitudes drásticas antes de começar a limitar suas próprias emissões de gases estufa.

Nesta segunda-feira, em Poznan, 140 companhias de grande porte como Ebay, Sun Microsystems, BP e Unilever e grandes investidores pediram uma "ação decisiva" contra as mudanças climáticas.

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