BRASÍLIA - O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia não traz novidades, mas que está disposto a conversar com os países da região sobre o assunto.

Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que "não há mágica, não há segredos debaixo da mesa" em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia.  "Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou", disse o general.


James Jones se encontrou com Amorim nesta quarta em Brasília / AP

Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. "Vamos apenas usar as instalações colombianas", disse.

O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.

Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está "a uma longa distância dos Estados Unidos".

Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.

"Omissão"

O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação "mais aberta" com a região. "Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor", disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia.

"Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui", disse.

Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.

Garantias

Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi "cordial" e que o general americano ouviu "atentamente" as ponderações brasileiras.

Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos.

Para a diplomacia brasileira, "não há justificativa" para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer.

Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um "contexto de estabilidade" e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países.

Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve "falha de comunicação" na discussão sobre o acordo militar.

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