Acordo EUA-Polônia expõe voz de ex-países socialistas na Otan

A assinatura do acordo entre os Estados Unidos e a Polônia para a instalação de parte de um escudo de defesa antimísseis em território polonês é um passo significativo nas ambições americanas de aumentar sua influência na Europa central. O pacto, no entanto, significa mais que isso.

BBC Brasil |

Com a formalização do acordo pelos dois países, nesta quarta-feira, não apenas estreitam-se os laços entre os Estados Unidos e a Polônia, como também se torna evidente o aumento de importância que os países que antes circulavam na órbita da Rússia começam a ganhar dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Até a Rússia enviar suas tropas à Geórgia, há quase duas semanas, as negociações para as instalações do escudo antimísseis americano permaneciam inconclusivas.

O governo de Varsóvia, entre outras exigências, pedia mais garantias dos americanos em relação à sua segurança. Incertezas políticas também pairavam no ar.

Mas a incursão russa em território georgiano dissipou toda incerteza. Após um ano e meio de negociações, o acordo foi formalizado quase que imediatamente.

A Polônia estava ansiosa para enviar um sinal à Rússia de que o país não deve tentar impressionar usando seu poderio militar.

Postura rígida
A decisão polonesa de abrir suas portas ao sistema de defesa americano é uma evidência do destaque que começa a ganhar um novo campo da Otan composto por antigos membros do Pacto de Varsóvia, como Polônia, República Tcheca e Hungria.

Mesmo que não formem um bloco coerente, esses países tendem a se alinhar com os Estados Unidos e assumir posturas mais duras nos assuntos relativos à Rússia.

Seja em relação à questão do escuto antimísseis, da expansão da Otan ou, mais recentemente, da resposta à ação russa na Geórgia, algumas das vozes mais rígidas dentro da aliança vieram de seus membros mais recentes.

Coletivamente, os ex-integrantes do Pacto de Varsóvia acreditam entender as estratégias políticas da Rússia melhor que qualquer outro membro da Otan.

Além disso, devido à sua posição geográfica, sentem estar mais perto de qualquer ameaça em potencial. Pesa ainda uma bagagem de ressentimento que carregam consigo por causa da dominação russa.

As visões desses países são tão legítimas quanto as de qualquer outro membro da Otan e certamente acrescentam um novo sabor aos debates internos do bloco militar.

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