ASSUNÇÃO - Uma eventual disputa energética com o Brasil pela renegociação do tratado da hidroelétrica binacional Itaipú marcou nesta sexta-feira o fim da campanha eleitoral no Paraguai, antes das eleições presidenciais de domingo.

Na reta final das eleições que se definirão em turno único por uma maioria simples, o candidato opositor Fernando Lugo, que lidera as pesquisas, explicou em uma reunião com estrangeiros a necessidade de negociar um novo tratado energético com o Brasil, seu principal parceiro econômico.

'A energia que se vende ao Brasil não é por um preço justo, ninguém vende energia pelo preço de custo, sem o valor de mercado', disse Lugo para repórteres.

O candidato, que pode pôr fim à hegemonia de mais de seis décadas de poder do Partido Colorado, pretende em seu eventual governo revisar um acordo firmado em 1973 sobre Itaipú, a hidrelétrica que pertence a ambos os países sobre o rio Paraná

'Acreditamos que (o acordo de) Itaipú foi feito em condições e com falhas democráticas, sem a participação dos cidadãos', disse Lugo, acrescentando que a venda por um valor de mercado melhoraria substancialmente a economia paraguaia, uma das mais pobres da América Latina.

O Brasil afirma que o valor calculado no tratado é correto pois assegura o cumprimento dos compromissos financeiros de ambos os países.

Brasil e Paraguai se uniram para construir Itaipú há mais de três décadas, quando os dois países eram administrados por governos ditatoriais. A obra custou cerca de 12 bilhões de dólares que foram financiados em sua maioria com créditos externos.

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