Acordo com EUA é aprovado por ampla maioria no Iraque

O Parlamento iraquiano aprovou nesta quinta-feira por ampla maioria o acordo com os Estados Unidos que prevê a retirada das tropas americanas do Iraque até 2011, oito anos depois da invasão que derrubou o ex-ditador Saddam Hussein e mergulhou o país no caos.

AFP |

O texto de 30 artigos foi adotado por 149 votos a favor e 35 contra, informou à AFP o vice-presidente do Parlamento, Khaled al-Attiyah. O documento foi aprovado pelos principais grupos parlamentares sunitas, xiitas e curdos.

Segundo o deputado sunita Ayad al-Samarrai, 14 deputados de todos os grupos parlamentares se abstiveram. O Parlamento tem 275 cadeiras.

O presidente americano, George W. Bush, imediatamente "parabenizou os representantes eleitos" iraquianos após a aprovação deste acordo, que parecia impossível há apenas alguns meses.

Foi resultado de ásperas discussões entre Bagdá e Washington, e de duras negociações entre os principais grupos parlamentares xiitas, sunitas e curdos.

Ainda terá que ser ratificado pelo Conselho presidencial, que conta, além do presidente Jalal Talabani, com dois vice-presidentes, um sunita e um curdo.

Assim que começou a leitura do texto integral do acordo, os deputados do líder radical xiita Moqtada al-Sadr se levantaram e gritaram "Não à ocupação" e "Sim ao Iraque", erguendo cartazes com a inscrição: "Não ao acordo".

O texto prevê que "todas as forças americanas", ou seja, todos os 150.000 militares deste país, "deverão ter deixado o território iraquiano até o dia 31 de dezembro de 2011". Além disso, todas as forças de combate americanas deverão ter-se retirado das cidades e aldeias do Iraque até o dia 20 de junho de 2009.

"O território iraquiano, assim como seu espaço aéreo e suas águas, não poderão mais ser utilizadas como ponto de partida ou de passagem para ataques contra outros países. Os Estados Unidos tomarão todas as medidas diplomáticas, econômicas ou militares necessárias para enfrentar eventuais ameaças ou agressões internas ou externas contra o Iraque", diz o documento.

A sessão parlamentar, transmitida ao vivo, começou com a aprovação de um projeto de lei sobre as reformas políticas, que inclui parte das exigências dos sunitas sobre uma melhor distribuição do poder e uma anistia dos prisioneiros suspeitos de terem participado da insurreição.

Esta era a condição imposta pelos sunitas para aprovarem o acordo de segurança.

O projeto de lei também estipula que a comissão eleitoral deverá organizar "antes do dia 30 de julho" um referendo popular sobre o acordo de segurança com os Estados Unidos.

Alguns minutos depois da ratificação, o embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Ryan Crocker, e o chefe das forças militares no país, o general Raymond Odierno, "parabenizaram nesta quinta-feira o governo iraquiano e os representantes eleitos".

No momento da ratificação do acordo no Parlamento, dois ataques cometidos por camicases contra comboios de polícia em Mossul (sul do Iraque) deixaram dois mortos e 19 feridos, entre eles 15 policiais.

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