Ações da família de Murdoch perdem quase US$ 1 bilhão de valor

Perda equivalente a R$ 1,6 bilhão em ações é causada por escândalo de grampos; Standard & Poor's avalia baixar nota da News Corp.

iG São Paulo |

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Foto de arquivo mostra ex-repórter do News of the World, Sean Hoare, que foi encontrado morto no Reino Unido
A família do magnata australiano da mídia Rupert Murdoch perdeu quase US$ 1 bilhão (quase R$ 1,6 bilhão) por causa da queda das ações de sua empresa News Corporation desde que eclodiu o escândalo dos grampos telefônicos ilegais.

O valor dos papéis da família caíram para cerca de US$ 4,96 bilhões nesta segunda-feira, enquanto em 1º de julho haviam fechado em US$ 6 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. A perda de US$ 977 milões representa uma queda de 16%.

Murdoch, que é o chefe-executivo da News Corp., detém 40% das ações com direito a voto da empresa. Nesta segunda-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's informou que considera baixar a nota da News Corp., atualmente em BBB+, por causa do escândalo.

A decisão da Standard & Poor's "reflete o aumento dos riscos associados às atividades e à reputação" do grupo, "em um momento em que o processo judicial amplia-se", disse a agência em comunicado.

"O processo judicial na Grã-Bretanha ampliou-se e as pressões provenientes de legisladores americanos em favor de uma investigação do FBI ficaram mais intensas", completa a S&P.

As más notícias econômicas surgiram em meio à escalada de más notícias em relação ao escândalo de escutas ilegais do tabloide News of the World . Nesta segunda-feira, Sean Hoare, o ex-repórter de showbiz que foi o primeiro jornalista a alegar que Andy Coulson estava ciente da realização de escutas ilegais por sua equipe, foi encontrado morto .

Com 43 anos, Coulson era editor do News of the World entre 2003 e 2007, quando as escutas ilegais foram realizadas, e atuou como porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, até janeiro deste ano. Em 8 de julho, ele foi detido sob suspeita de corrupção e, depois de prestar um depoimento de nove horas, foi solto após o pagamento de fiança .

Hoare, que trabalhou no Sun e no News of the World com Coulson antes de ser demitido por problemas com bebidas e drogas, foi encontrado morto em sua casa em Watford, no norte de Londres.

"A morte está sendo tratada agora como sem explicação, não como se fosse suspeita. As investigações policiais sobre esse incidente seguem em curso", informou um comunicado da polícia de Hertfordshire, que não confirmou a identidade do morto.

De acordo com o Guardian, Hoare primeiramente fez suas alegações para as investigações do New York Times sobre as escutas ilegais do tabloide britânico, cuja última edição circulou em 10 de julho . Ele disse ao jornal americano que Coulson não apenas sabia dos grampos, como ativamente encorajou sua equipe a interceptar as ligações telefônicas de celebridades para obter material exclusivo.

Posteriormente à BBC, ele disse que seu então editor, Coulson, pediu-lhe pessoalmente para interceptar ligações. Segundo ele, as declarações de Coulson de que desconhecia a prática de seus repórteres era "simplesmente uma mentira".

Em setembro, ele foi entrevistado pela polícia em relação às denúncias, mas negou-se a fazer quaisquer comentários. Na semana passada, ele voltou à mídia após dizer ao New York Times que repórteres tinham acesso à tecnologia policial para localizar as pessoas usando seus sinais de celular em troca de pagamento aos policiais.

Segundo ele, os jornalistas eram capazes de usar uma técnica chamada de "pinging", que media a distância entre os aparelhos de celular e os números do telefone para apontar sua localização.

Pressão sobre a polícia

A morte de Hoare ocorre em meio ao aprofundamento da crise do escândalo de escutas na força policial de Londres, com as rápidas renúncias de duas autoridades e denúncias de possível investigação ilegal, suborno e conspiração. No domingo, o comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Paul Stephenson , renunciou pelo caso dos grampos. Sua renúncia foi seguida nesta segunda-feira pela do subcomissário-chefe John Yates .

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Coulson, ex-porta-voz do premiê David Cameron, deixa delegacia em Londres. Ele foi interrogado por 9 horas por envolvimento no escândalo de grampos de tabloide (08/07)
Nesta segunda-feira, a ministra do Interior da Grã-Bretanha, Theresa May, anunciou um inquérito para investigar as acusações de corrupção policial que surgiram com o escândalo. Theresa disse ao Parlamento britânico que pedirá aos inspetores que analisem principalmente a relação entre policiais e jornalistas.

Sentindo a pressão por seus próprios vínculos estreitos com o império de mídia de Rupert Murdoch, dono do tabloide News of the Wolrd, o premiê britânico encurtou uma viagem na África e pediu uma sessão de emergência do Parlamento para a quarta-feira para que possa abordar o escândalo com os legisladores.

Na terça-feira, os parlamentares questionarão Murdoch, seu filho James e Rebekah Brooks , a ex-chefe-executiva da divisão britânica da News Corporation do magnata australiano, sobre o escândalo. Rebekah, que renunciou ao cargo de editora-executiva da News International na sexta-feira, foi detida e libertada sob fiança no domingo após prestar depoimento por mais de 12 horas sobre o caso.

O News of the World teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza , esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão. Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

*Com Valor, AP, BBC e Reuters

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