Ações contraditórias prejudicam campanha contra gripe H1N1

Por David Morgan WASHINGTON (Reuters) - A campanha mundial de saúde pública para transmitir uma visão realista da pandemia de H1N1, também conhecida como gripe suína, está sendo minada por um fluxo de reações contraditórias em aeroportos internacionais, disseram especialistas nesta sexta-feira.

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Os passageiros de aviões estão diante de um conjunto de mensagens e atitudes inconsistentes sobre o H1N1 quando viajam entre países. Em alguns aeroportos, as autoridades deixam de quarentena os suspeitos de estarem com a gripe, enquanto em outros não dão nem mesmo as informações mais básicas de saúde aos passageiros.

Algumas das medidas conhecidas, como submeter os passageiros a monitoramento de temperatura, também parecem ser mais movidas por razões políticas do que médicas e podem desviar profissionais e recursos essenciais de ações mais eficazes, disseram os especialistas.

"Realmente causa confusão na mente das pessoas porque elas estão recebendo mensagens diferentes de toda parte", disse o médico Tony Evans, chefe da equipe médica da Organização da Aviação Civil Internacional, da ONU.

"Isso prejudica a mensagem de saúde pública. Causa confusão e, por isso, a coisa realmente importante é minada", disse ele em um encontro sobre transmissão de doenças e aeroportos e companhias aéreas, patrocinado pela entidade independente National Research Council, dos EUA.

Autoridades de saúde pública, que preveem começar em breve a vacinação contra a gripe H1N1, recomendam lavar as mãos para evitar a disseminação da infecção e pedem às pessoas que não viajem nem se dirijam ao trabalho caso se sintam doentes.

O papel da aviação na disseminação de doenças infecciosas é motivo de grande preocupação das autoridades de saúde pública. O H1N1 continua a se espalhar pelo mundo desde que apareceu, em março, na América do Norte.

Viagens aéreas podem acelerar a disseminação da gripe, mas as autoridades dizem que restrições a viagens pouco ou nada ajudam.

Pesquisas indicam que o monitoramento da temperatura do passageiro não necessariamente retarda a transmissão da doença, embora Evans afirme que possa impedir que algumas pessoas enfermas tentem embarcar.

Evans disse que as autoridades do México descobriram que as máquinas de monitoramento da temperatura eram de pouco valor.

"Mas se sentiram obrigadas a colocá-las em operação por causa da pressão pública. Elas sentiram que o público precisava se sentir seguro de que alguma coisa estava sendo feita", disse Evans.

A médica Rose Ong, que dirige o departamento médico da Cathay Pacific Airways em Hong Kong, disse no encontro que o próprio H1N1 deixou a situação confusa porque desencadeou os alertas públicos e depois se mostrou inesperadamente moderado.

Ong disse que as empresas podem ser conduzidas pela reação pública à gripe H1N1 e observou que bancos e sistemas de transporte na Ásia começaram a distribuir máscaras cirúrgicas no começo deste ano, apesar de o perigo real ser baixo.

"Nós sentimos de fato que tínhamos de fazer algo semelhante, apesar de nós não apoiarmos, em termos médicos, o uso de máscaras", disse ela.

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