Acidez oceânica é mais um problema causado pela emissão de gases

Washington, 3 jul (EFE).- As emissões de gases estufa não só contribuíram para o aquecimento global, mas também estão alterando a composição química dos mares, revelou um estudo de cientistas americanos publicado hoje pela revista Science.

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As conseqüências ecológicas e econômicas são difíceis de prever, mas é provável que sejam calamitosas, segundo os pesquisadores do Departamento de Ecologia Global da Instituição Carnegie, e da Universidade do Havaí.

Eles declararam que é provável que essas conseqüências tornem necessário aprofundar as medidas já tomadas para reduzir as emissões de gases estufa, como o dióxido de carbono (CO2).

Segundo Ken Caldeira, da Instituição Carnegie, e Richard Zeebe, da Universidade do Havaí, os oceanos já absorveram cerca de 40% do dióxido de carbono que o homem gerou nos dois últimos séculos.

Paradoxalmente, essa absorção de CO2 tem desacelerado o aquecimento global, embora o custo tenha sido muito alto, advertem os cientistas.

A grande quantidade de CO2 alterou a acidificação das águas do mar, um efeito que poderia crescer neste século.

A acidificação pode causar graves danos aos organismos marinhos, como os corais e os plânctons, ao frear o processo de calcificação de seus exoesqueletos, afirmam os cientistas.

Além disso, a maior parte dos organismos marinhos vive em águas que recebem a luz do sol e que são mais vulneráveis à acidificação causada pelo CO2.

Segundo os cientistas, embora a reação química do mar aos maiores níveis de CO2 seja previsível, é muito mais difícil estabelecer com precisão qual será a reação biológica.

"Sabemos que a acidificação oceânica danificará os corais e outros organismos, mas não há dados experimentais sobre a forma como a maioria das espécies será afetada", apontou Caldeira.

No entanto, acrescentou que os resultados de experiências de laboratório com algumas espécies têm "sido alarmantes".

"A menor elevação de temperatura seguramente afetará moluscos, como as ostras e os mexilhões, o que terá um grande impacto na indústria. É possível que outros organismos proliferem nessas condições, mas poderiam ser espécies não desejáveis", acrescentou.

EFE ojl/bm/db

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