Acidentes de trânsito causam 1,27 milhão de mortes por ano no mundo

Nova York, 15 jun (EFE).- Os acidentes de trânsito provocam 1,27 milhão de mortes por ano e deixam entre 20 e 50 milhões de feridos, segundo um relatório publicado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que também ressaltou que os países ainda têm um longo caminho pela frente para melhorar a segurança em suas estradas.

EFE |

A diretora geral da OMS, Margaret Chan, e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, apresentaram em Nova York o primeiro estudo sobre a situação da segurança nas estradas, realizado em 178 países, entre março e setembro de 2008.

Os resultados do documento apontaram que as vítimas de acidentes de trânsito são um "grande problema para os sistemas de saúde pública, especialmente, nos casos dos países pobres e de média renda", onde ocorrem 90% das mortes, mas só têm 48% de todos os automóveis do mundo, disse o analista da OMS, Etienne Krug.

Pedestres, ciclistas e motociclistas são os grupos mais vulneráveis e eles correspondem a "quase a metade dos que morrem nas estradas, o que ressalta a necessidade que essas pessoas sejam as que recebam mais atenção nos programas de segurança viária", afirmaram os especialistas da OMS.

Chan disse também que, segundo esses resultados, em muitos países as leis de segurança viária "têm que ser mais globais e seu cumprimento reforçado" pelas autoridades.

"A prevenção é, de longe, a melhor opção", afirmou Chan, que ressaltou que a construção de veículos e estradas mais seguras, a criação de infraestrutura voltada para a proteção de pedestres e ciclistas, a melhora do transporte público e dos comportamentos pessoais ajudará a reduzir os números.

"Os acidentes de trânsito são uma das principais causas de morte", indicou Bloomberg.

O documento revela que na Colômbia, Guatemala e Peru, 70% dos acidentes atingem esses grupos vulneráveis, enquanto em outros países da região como a República Dominicana, Honduras e Estados Unidos esse índice é menor, de 25%.

Especialistas da OMS previram, por exemplo, que em 2030 os acidentes nas estradas serão a quinta principal causa de morte no mundo (3,6%), enquanto em 2004 ocupavam o décimo lugar (2,2%).

A velocidade, a falta de segurança nas estradas ou o consumo excessivo de álcool são algus dos fatores de risco que contribuem para esses acidentes, da mesma forma que a não utilização de capacetes, cintos de segurança ou assentos adaptados para crianças.

O documento indicou que menos da metade dos 178 países analisados têm leis que contemplam esses fatores de risco e só 15% dispõe de leis globais sobre o tema.

Apesar de 90% dos países terem leis que regulam o consumo de álcool ao volante, somente 49% estipula que o limite de concentração de álcool no sangue, que não pode superar 0,05 gramas por decilitro.

"Só 57% dos países exigem o uso de cintos de segurança para todos os passageiros de um automóvel, enquanto 90% dos países com ricos é obrigatório o uso de assentos adaptados para as crianças. Somente 20% dos países pobres obrigam seu uso", disseram especialistas.

Outro aspecto abordado no documento é que as perdas econômicas globais geradas por esse tipo de acidentes nos países menos desenvolvidos estão em torno dos US$ 518 bilhões anuais, o que, para os Governos representa um custo de entre 1% e 3% do produto interno bruto e muito mais do que muitos deles recebem em assistência ao desenvolvimento.

Segundo os dados da OMS, 62% dos acidentes mortais em estrada ocorrem em 10 países: Índia, China, EUA, Rússia, Brasil, Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito, mas as dez nações que registram mais mortes são China, Índia, Nigéria, EUA, Paquistão, Indonésia, Rússia, Brasil, Egito e Etiópia.

O estudo revelou também que os países com menos acidentes de trânsito são também os mais ricos do mundo, como a Holanda, Suécia e Reino Unido. EFE emm/pd

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