Acidente em túnel de Gaza mata sete palestinos

GAZA (Reuters) - Pelo menos sete palestinos morreram durante a madrugada devido a uma explosão dentro de um túnel usado para o contrabando de produtos entre o Egito e a Faixa de Gaza, disseram autoridades palestinas nesta segunda-feira. Esse é um dos piores acidentes já registrados na história da perigosa e ilícita rede de túneis comerciais de Gaza.

Reuters |

Autoridades locais disseram que a explosão e o subsequente incêndio foram provocados por uma fagulha elétrica. Pode haver mais mortos soterrados no local, disseram as fontes, sem citar números.

Contrabandear todo tipo de produto -- desde animais de criação a óleo diesel -- é um empreendimento ao mesmo tempo essencial e lucrativo em Gaza, uma região governada pelo grupo islâmico Hamas e que sofre um bloqueio econômico de Israel.

O Estado judeu afirma que o Hamas também usa os túneis para importar armas, explosivos e munição. Os túneis -- há centenas deles -- costumam ser cavados a mão e explorados por particulares, embora estejam sob controle do Hamas.

O Hamas domina a Faixa de Gaza desde que expulsou as forças da facção laica Fatah, em 2006. Israel desocupou militarmente o território em 2005, mas realiza incursões esporádicas desde então.

No final de 2008, Israel bombardeou os túneis como parte de uma ofensiva justificada pela necessidade de impedir o Hamas de disparar foguetes contra o seu território.

Muitos túneis foram rapidamente reconstruídos após os bombardeios para atender às necessidades comerciais de Gaza.

O Hamas reivindica que Israel normalize o comércio na fronteira. Israel condiciona esse acordo à libertação do soldado Gilad Shalit, sequestrado há três anos em Gaza.

As autoridades dizem que 107 palestinos morreram nos túneis desde o começo do ano. Um dirigente local fez um apelo para que o Hamas supervisione melhor as atividades ali.

"Necessitamos de alguns (produtos) que vêm por esses túneis, e repetidamente pedimos uma racionalização desta operação, organizando-a de modo a que responda às necessidades das pessoas, não uma besta que engole suas almas e seu dinheiro em prol de algumas pessoas ambiciosas", disse Jamil Majdalawi, da Frente Popular de Libertação da Palestina.

Também na segunda-feira, Israel permitiu pela primeira vez em dez meses que uma carga de combustível para uso privado entre em Gaza. Foram 100 mil litros de diesel e 40 mil de gasolina.

(Reportagem de Nidal al-Mughrabi)

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