Acidente da Yemenia: buscas continuam e única sobrevivente volta para casa

As buscas continuaram nesta quinta-feira na área do acidente do Airbus da Yemenia, ao longo do litoral das Ilhas Comores, no Oceano Índico, sem grandes esperanças de encontrar mais sobreviventes além da menina de 12 anos, que voltou para a França e foi hospitalizada.

AFP |

Importantes meios navais e aéreos disponibilizados pela França e pelos Estados Unidos foram mobilizados na manhã desta quinta-feira, mais de 48 horas depois da tragédia, para tentar localizar improváveis sobreviventes, assim como os corpos das vítimas e as caixas pretas do aparelho, informou a porta-voz do Crescente Vermelho, Ramulati Ben Ali.

"Encontramos problemas na recuperação dos corpos porque o avião está numa profundidade de 300 a 400 metros, numa posição de acesso difícil. Os corpos que poderiam ter sido recuperados provavelmente derivaram por causa do mau tempo e do mar agitado", explicou Ben Ali à AFP.

"As operações parecem complicadas, o lugar exato do acidente não foi determinado. Nenhum corpo foi encontrado até o momento", confirmou o presidente da União de Comores, Ahmed Abdallah Sambi, na praia de Galawa Beach, onde os socorristas estabeleceram seu quartel-general.

Sambi voltou a Moroni na noite desta quinta-feira, deixando a 13ª cúpula da União Africana inaugurada na véspera em Sirte, na Líbia, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até este momento, apenas uma adolescente de 12 anos, Bahia Bakari, foi resgatada com viva, depois de ter passado "mais de dez horas" no mar. Ela sobreviveu porque ficou agarrada a um pedaço da fuselagem do avião.

Além da menina, o Airbus A310 tinha mais 152 passageiros e tripulantes a bordo quando caiu no Índico na noite de segunda-feira, após uma frustrada tentativa de pouso.

A adolescente desembarcou na manhã desta quinta-feira em Paris, onde se encontrou com seu pai antes de ser internada no hospital Trousseau, um dos maiores centros médicos para crianças da capital francesa. Ela sofre de uma fratura da clavícula e de queimaduras em um joelho.

"Estou feliz com a volta da minha filha, mas perdi a mãe dela", que também estava no avião, declarou o pai da jovem, Kassim Bakari.

Bahia embarcou com sua mãe em Marselha, no sul da França, onde vive uma importante comunidade comorense, para passar férias nas Ilhas Comores.

Vários parentes de passageiros do avião da Yemenia ainda estão revoltados com o acidente.

"Porque existem aviões para o Ocidente e outros para os países do terceiro mundo?", perguntou Ali Amman, que perdeu sua irmã e dois sobrinhos no acidente.

Em Marselha, a comunidade comorense também está furiosa. Nesta quinta-feira, cerca de 200 manifestantes bloquearam o check-in para o voo da Yemenia com destino a Moroni, que devia decolar no fim da tarde.

O vice-presidente das Ilhas Comores criticou Paris por não ter informado Moroni sobre o estado do Airbus. O chanceler francês, Bernard Kouchner, respondeu que "o avião estava proibido de voar em nosso país, e todo mundo sabia disso".

lp/yw

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