Acidente da Air France pode permanecer um mistério--investigador

Por Crispian Balmer PARIS (Reuters) - Autoridades francesas disseram nesta quarta-feira que possivelmente nunca serão descobertas as razões que causaram a queda de uma aeronave da Air France no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo, e que as caixas-pretas do avião podem não ser encontradas no fundo do mar.

Reuters |

Uma primeira embarcação da Marinha brasileira chegou nesta quarta-feira à região situada a 1.200 quilômetros de Recife, onde foram encontradas partes da aeronave que decolou do Rio com destino a Paris no domingo, na esperança de recuperar o máximo possível de destroços.

A França também está despachando para a área um mini-submarino capaz de explorar em profundidades de até 6.000 metros que tentará localizar as caixas-pretas do Airbus, que podem ajudar a descobrir as causas do desastre.

Mas Paul Louis Arslanian, diretor da agência francesa de investigação de acidentes aéreos, disse não estar certo de que as caixas-pretas serão recuperadas e que a investigação pode acabar sendo frustrante.

"Não estou inteiramente otimista. Não podemos excluir a possibilidade de não serem encontrados os registros do vôo", disse Arslanian a jornalistas, avisando que a investigação pode levar muito tempo para ser concluída.

"Não posso excluir a possibilidade de terminarmos com uma conclusão que seja relativamente insatisfatória em termos de certezas", acrescentou.

Um primeiro relatório ficará pronto até o final do mês. A investigação está sob o comando de Alain Bouillard, que também chefiou o inquérito sobre a queda de um Concorde da Air France em 2000.

Arslanian revelou poucos elementos novos, confirmando apenas que a tripulação da aeronave enviou uma mensagem de rádio reportando turbulência quando o avião se dirigia para o equador e que, mais tarde, o avião enviou uma série de mensagens automáticas relatando falhas de funcionamento.

"Por enquanto, não há indícios que sugiram que o avião tivesse tido problemas antes da decolagem", disse ele.

FUNDO DO MAR MONTANHOSO

O Brasil enviou quatro navios de sua Marinha e um navio-tanque para a região onde foram avistados destroços por aviões da FAB, incluindo uma peça metálica com 7 metros de diâmetro que seria da fuselagem do avião da Air France e manchas de óleo.

A França enviou uma embarcação levando a bordo o submarino Nautile, mas a previsão é que ela não chegue à área antes do início da próxima semana.

O ministro do governo francês Jean-Louis Borloo disse que as caixas-pretas devem estar a uma profundidade entre 3.660 e 3.700 metros, tranquilamente dentro do alcance do submarino, mas avisou que será difícil localizá-las.

"Nunca antes recuperamos caixas-pretas a uma profundidade tão grande, e as correntes marítimas são muito fortes", disse ele.

Arslanian disse que o fundo do mar nessa área é extremamente acidentado.

"A área fica praticamente no meio do Oceano Atlântico, onde o fundo do mar é muito profundo e variado. É um local montanhoso, não uma planície", disse ele.

As caixas-pretas são projetadas para enviar sinais localizadores por até 30 dias depois de atingirem a água, mas não há garantia de que tenham sobrevivido ao impacto fortíssimo com o mar, disse Arslanian.

Os aviões que sobrevoam a região ainda não avistaram corpos.

As autoridades estão surpresas pelo fato de um avião moderno, operado por três pilotos experientes, ter caído repentinamente, sem nem sequer dar aos pilotos tempo de enviar um pedido de socorro.

Os investigadores franceses foram divididos em quatro equipes para apurar aspectos distintos do caso, incluindo uma revisão dos sistemas de bordo do avião e de seu histórico de manutenção.

Magistrados de Paris disseram na quarta-feira que vão abrir um inquérito simultâneo. Trata-se de um procedimento de rotina em casos que envolvem a perda de muitas vidas.

(Reportagem adicional de Alonso Soto no Rio; Fernando Exman em Brasília; e Laure Bretton e Clement Guillou em Paris)

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