Enquanto as buscas na região do acidente com o voo AF 447 continuam, as autoridades francesas já admitem que as causas do acidente com o Airbus da Air France possivelmente nunca serão conhecidas. Sem a caixa preta, a investigação sobre as causas podem durar anos e, ainda assim, não ser conclusivas.

O governo francês enviou dois minissubmarinos à região, para ajudar nas buscas.

A esperança é de que os destroços encontrados possam ajudar a explicar o acidente. No entanto, a corrente marinha na região dificulta o resgate, pois as peças estão a todo momento mudando de lugar.

Confira abaixo algumas questões sobre o acidente com a aeronave da Air France, que deixou o Rio de Janeiro na noite de domingo, com 228 pessoas a bordo.

É possível encontrar sobreviventes ou corpos?
Oficialmente, o governo brasileiro, responsável pelas buscas, não descartou ainda essa possibilidade. No entanto, o próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, já fala em resgate de corpos.

A identificação dos primeiros destroços indica que a aeronave se desfez no ar e, nesse caso, seria impossível para o corpo humano sobreviver. O mesmo aconteceu no acidente com o avião da Gol, em 2006.

O presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, pediu que as famílias "não tenham esperança" em encontrar sobreviventes.

A busca por corpos também pode ser difícil. Além da corrente marinha, que pode afastá-los para outros pontos, outros fatores também prejudicam o resgate, como a profundidade do mar (de até 4 mil metros) e a presença de peixes e tubarões.

O governo brasileiro montou uma base em Fernando de Noronha com técnicos e equipamentos que poderão fazer a identificação dos corpos.

Havia tempestades naquela região?
Sim. Nessa época do ano, é comum a formação de tempestades na área, conhecida como Zona de Convergência Intertropical.

Imagens de satélite mostram uma intensa atividade climática ao norte de Fernando de Noronha na noite de domingo, com até 18 quilômetros. Nessa altitude, é comum a formação de gelo (granizos), em vez de chuva.

Aeronaves como o Airbus podem "perceber" uma tempestade com até 30 minutos de antecedência. Mas segundo especialistas, o equipamento identifica a água, e não o gelo. Por isso, é possível que os pilotos não tenham tido tempo de fugir da tempestade.

Essa pode ser a principal causa do acidente?
A tempestade é um fator importante e está sendo considerada pelos investigadores. No entanto, especialistas afirmam que um avião do porte do Airbus dificilmente cai em função de uma tempestade, ainda que seja atingido por um raio.

De acordo com a Aviation Safety Network, desde 1973 apenas 73 acidentes tiveram suas causas ligadas a fortes turbulências.

O ideal, segundo pilotos, é tentar escapar da área de tempestade. Para isso, podem fazer desvios, mudar a velocidade ou a altitude da aeronave.

As autoridades francesas admitiram que as causas do acidente "possivelmente" nunca serão conhecidas. A localização das caixas pretas é muito difícil em função da profundidade.

Que outras possíveis causas já foram levantadas?
Além da forte tempestade, diversos outros fatores e possibilidades estão sendo considerados. Uma delas é de que a pane elétrica tenha sido causada por uma falha na aeronave.

O mesmo modelo de aeronave, operado por outra companhia, sofreu duas panes elétricas recentemente.

A hipótese de um atentado foi levantada por um piloto da Air France ao jornal francês Le Figaro. A companhia aérea confirmou ter recebido um falso alerta de bomba no dia 27 de maio, que estaria localizada em um vôo entre Paris e Buenos Aires.

As autoridades brasileiras consideram essa hipótese "improvável". Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a faixa de óleo encontrada indica que não houve explosão.

No entanto, as informações seguem desencontradas. Um piloto da companhia aérea Air Comet, que fazia a mesma rota naquela noite, afirmou ter visto um "clarão forte e intenso" caindo sobre o mar.

Os pilotos informaram algum tipo de problema durante o vôo?
Não. Segundo o Comando da Aeronáutica, não há registro de mensagens de alerta entre os pilotos e o controle de tráfego aéreo brasileiro. A comunicação seguia normal e, inclusive, houve um contato às 22h33, por rádio, com o Centro de Controle (Cindacta 3).

No entanto, às 23h20, a aeronave deveria fazer mais um contato, o que não aconteceu.

Pouco antes, às 23h10, o avião começou a enviar uma série de mensagens automáticas à companhia aérea, segundo a revista especializada Aviation Herold. Os sinais indicavam pane elétrica e despressurização.

Áreas muito distantes das costas em geral não são cobertas por radar. Mas os pilotos podem fazer a comunicação por rádio. Há ainda uma outra possibilidade, que é transmissão de um sinal para outras aeronaves, que estejam trafegando pela região.

No entanto, nenhuma das duas possibilidades foi utilizada pelos pilotos, o que pode sugerir, por exemplo, que os pilotos não tiveram tempo ou que algo não funcionou.

O que já foi resgatado até o momento?
O Ministério da Defesa informou que começaria o resgate das peças encontradas nesta quinta-feira.

Os primeiros destroços foram avistados por aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) na terça-feira, mas quando os navios chegaram ao ponto indicado, as peças haviam mudado de lugar.

Já foram identificadas bóias, poltronas, peças metálicas e objetos brancos, que correspondem à parte interna da aeronave. Além disso, a FAB avistou uma peça de 7 metros.

Os objetos encontram-se até 150 quilômetros distantes uns dos outros. Segundo a Aeronáutica, tudo que for coletado será entregue ao governo francês. Cinco navios brasileiros estão no local.

Quais as chances de se encontrar a caixa preta?
A caixa preta armazena informações que podem decifrar o mistério do acidente, como por exemplo as conversas na cabine de comando.

As autoridades francesas disseram ser "quase impossível" encontrá-la, em função da profundidade do mar, da extensão da região e da irregularidade do terreno.

As caixas pretas têm um mecanismo que emite sinais de localização mesmo a 4,3 mil metros abaixo da superfície da água. Não se sabe, porém, se a caixa preta - mesmo que encontrada - sobreviverá à pressão das profundezas.

O governo francês enviou dois minissubmarinos científicos à região, que são especializados nesse tipo de busca. O Brasil não dispõe do equipamento.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.