Ação militar no Afeganistão gera troca de acusações

Uma operação da aliança militar Otan no Afeganistão nesta quinta-feira gerou duas versões contraditórias. Forças da Otan disseram ter matado dois comandantes da milícia do Talebã, mas líderes tribais alegam que dezenas de pessoas, entre elas civis, foram mortas.

BBC Brasil |

A ação foi realizada entre a meia-noite e o começo da manhã no distrito de Shindand, que fica na província de Herat, no oeste do Afeganistão.

Os primeiros relatos foram dos líderes tribais, que disseram que um grande número de pessoas foi atingido em um ataque liderado por forças americanas.

Segundo eles, o ataque deixou muitos feridos e mortos, incluindo um alto líder local, e várias casas foram destruídas.

Há relatos não confirmados de protestos no vale de Zirko, uma área tribal independente onde forças americanas já entraram em choque com combatentes locais no passado. A Otan contesta a afirmação dos líderes tribais.

Cativeiro
Segundo uma nota divulgada pela aliança militar, as forças de segurança de coalizão e do governo afegão conduziram uma "operação bem-sucedida" contra alvos do Talebã considerados de alta prioridade.

A Otan afirma que um número "significativo" de insurgentes foi morto, entre eles Hajinasrula Kahn, acusado de ser um líder do Talebã.

Kahn é um influente líder tribal. No ano passado, na mesma região, o presidente afegão, Hamid Karzai, participou de um ato ao lado de Kahn, depois que um suposto ataque de forças americanas deixou dezenas de civis mortos.

Um porta-voz da Otan disse que não há indícios de mortes de civis ou de danos materiais. Segundo a aliança, pelo menos 12 homens que estavam presos em condições degradantes foram libertados de um cativeiro.

O correspondente da BBC em Cabul, Alastair Leithead, afirma que as tribos locais de Shindand são suspeitas de contrabandear mercadorias com o Talebã.

A morte de Hajinasrula - um homem com muitos contatos na região - poderia levar a uma pressão de outros líderes tribais contra o presidente afegão.

Leithead diz que os diferentes relatos no caso em Shindand mostram como é difícil distinguir entre as pessoas que são consideradas líderes regionais e as que são consideradas colaboradoras do Talebã.

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