Para secretário americano, opção militar oferecerá solução em curto prazo e levaria República Islâmica a 'dissimular' atividades

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, voltou a condenar uma ação militar contra o Irã. Em pronunciamento ao conselho diretor do Wall Street Journal, nesta terça-feira, Gates disse que um ataque militar contra o Irã uniria o país, que está dividido, além de reforçar a determinação do governo iraniano em buscar armas nucleares.

Secretário de Defesa falou ao conselho diretor do Wall Street Journal
AFP
Secretário de Defesa falou ao conselho diretor do Wall Street Journal
Gates afirmou ser importante usar outros meios para convencer o Irã a não procurar ter armas nucleares e repetiu as suas preocupações de que ações militares somente iriam retardar - e não impedir - que o país obtenha essa capacidade. Segundo ele, a opção militar só oferecerá uma solução em curto prazo para o problema e poderia levar a República Islâmica a "dissimular" ainda mais suas atividades.

Na semana passada, o secretário de Defesa já havia afirmado que a ameaça de ação militar não é a única forma de impedir que o Irã desenvolva uma bomba nuclear.

Para o grupo 5+1 (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia), responsáveis pelas negociações sobre o tema nuclear iraniano, Teerã encoberta o desenvolvidmento de armas nucleares sob a cobertura de um programa civil. O Irã, no entanto, desmente o objetivo de armas nucleares e alega que seu programa tem fins pacíficos.

Impasse diplomático

Também nesta terça-feira, autoridades francesas acusaram forças iranianas de segurança de cometer “atos inaceitáveis de violência” contra o corpo diplomático francês na capital iraniana.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores francês, a entrada da Embaixada Francesa em Teerã foi bloqueada por oficiais não-identificados, no domingo. “(Eles) detiveram convidados do embaixador francês e perpetraram atos de violência contra o corpo diplomático francês”, ressaltou a chancelaria. O governo iraniano ainda não comentou as acusações.

Os incidentes levaram a França a intimar o embaixador do Irã em Paris para debater a possível violação da Convenção de Viena.

A notícia sobre o incidente ocorreu horas depois de o Irã acusar dois alemães de espionagem depois de terem entrevistado o filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério e sentenciada à morte por apedrejamento. O governo alemão disse trabalhar para libertar os cidadãos alemães, que se identificaram como um repórter e um fotógrafo.

*Com AFP e BBC

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