Ação dos EUA matou 97 civis, diz entidade afegã

Por Sayed Salahuddin CABUL (Reuters) - Um bombardeio norte-americano no começo deste mês no oeste do Afeganistão usou a força de modo desproporcional e matou 97 civis e apenas 2 combatentes do Taliban, disse um relatório divulgado na terça-feira por uma entidade afegã de direitos humanos.

Reuters |

Autoridades do país, inclusive o presidente Hamid Karzai, estimaram em até 140 o número de mortos e disseram que o bombardeio atingiu casas em duas aldeias na província de Farah (oeste), onde havia muitas mulheres e crianças escondidas.

Os militares dos EUA admitiram haver 20 a 35 civis mortos entre os 80 a 95 militantes assassinados durante os bombardeios de 3 de maio. Os EUA dizem que a guerrilha atacou forças regulares norte-americanas e afegãs e usou civis como escudos humanos.

A Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão foi o primeiro grupo não vinculado aos militares dos EUA ou ao governo afegão a apresentar um relatório sobre o incidente.

"Tratou-se de uma reação com uso extremo da força para destruir um grupo de oponentes, e teria sido desproporcional mesmo que (os oponentes) estivessem lá", disse Nader Nadery, representante do grupo, em entrevista coletiva em Cabul.

A investigação inicial do grupo sobre o incidente em Farah mostrou que entre os 97 mortos havia 65 crianças e 21 mulheres, segundo ele.

Seus investigadores não encontraram provas de que qualquer das vítimas estivesse armada ou tenha sido usada como escudo humano, segundo Nadery, embora autoridades locais tenham informado ao grupo que dois dos mortos eram combatentes do Taliban.

A ocorrência de mortes civis provoca grande tensão entre o Afeganistão e os EUA, e a polêmica envolvendo o incidente de Farah gerou grande indignação popular. Há ressentimento contra os quase 80 mil soldados estrangeiros no país, que no entanto precisam dos bombardeios aéreos para caçar os militantes do Taliban, devido às grandes distâncias e ao terreno acidentado no país.

Nadery defendeu que os EUA indenizem pessoas que perderam parentes ou casas nos ataques, e disse que as mortes não ajudarão Washington no seu objetivo de levar segurança e estabilidade ao Afeganistão.

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