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Ação da Rússia é inaceitável no século 21 , diz Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta segunda-feira que a ação militar da Rússia na Geórgia é inaceitável no século 21.

BBC Brasil |

Os comentários do líder americano, feitos no gramado da Casa Branca, em Washington, soaram como uma menção ao passado soviético e ao período da Guerra Fria.

No período do comunismo, as forças soviéticas invadiram a República Tcheca, em 1968, e a Hungria, em 1956, para conter governos que haviam adotado uma linha mais independente em relação a Moscou.

Segundo Bush, que realizou seu pronunciamento após retornar de sua participação na abertura dos Jogos Olímpicos, na China, a incursão militar russa ''prejudicou seriamente a imagem da Rússia perante o mundo'' e ''as relações com os Estados Unidos e a Europa''.

O líder americano acrescentou ainda que a ação militar ''levantou sérias dúvidas sobre as intenções da Rússia na Geórgia e na região''.

Dúvidas
Os virtuais candidatos democrata e republicano à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, respectivamente, também fizeram pronunciamentos cujo tom foi semelhante ao de Bush, condenado a suposta agressão russa.

"A agressão russa contra a Geórgia é um tema de importância moral e estratégica para os Estados Unidos (...) As ações russas, em uma clara violação da legislação internacional, não cabem na Europa do século 21'', afirmou McCain.

Barack Obama defendeu que o Conselho de Segurança adote uma resolução para pôr fim ao conflito e classificou a ação russa como uma violação de soberania e acrescentou que ''não há justificativa possível para estes ataques''.

Nova escalada
Ao longo desta segunda-feira, surigram, por parte da Geórgia, relatos conflitantes sobre a presença de tropas russas na cidade de Gori, a apenas 76 km da capital georgiana, Tbilisi, e distantes das regiões separatistas, que foram palco dos principais embates entre russos e georgianos.

Em princípio, as autoridades georgianas disseram que Gori havia sido tomada, o que foi negado pelos russos. Depois, o governo georgiano negou que quaisquer tropas russas tivessem estado na cidade, mas afirmou que os soldados tomaram posições ao redor de Gori.

Mas Moscou já admitiu ter entrado na Geórgia pela região da Abecásia, região separatista no oeste do país, ampliando o conflito para além da região da Ossétia do Sul, a região separatista que foi o pivô inicial da disputa entre Geórgia e Rússia.

Endosso
Em seus comentários, o presidente americano pareceu endossar a versão apresentada pela Geórgia.

''Estou muito preocupado com relatos de que tropas russas avançaram para além da zona do conflito, tendo atacado a cidade georgiana de Gori e ameaçado a capital da Geórgia, Tiblisi. Há provas de que forças russas poderão em breve começar a bombardear o aeroporto da capital'', disse Bush.

De acordo com o líder dos Estados Unidos, ''se confirmados estes relatos, estas ações da Rússia podem representar uma escalada brutal e dramática do conflito na Geórgia''.

Bush também pareceu abraçar outra alegação por parte da Geórgia, esta feita pelo próprio presidente do país, Mikhail Saakashvili, de que a operação russa visa derrubar o seu governo.

''Agora, tudo leva a crer que há um esforço para depor o governo recém-eleito da Geórgia. A Rússia invadiu um Estado vizinho soberano e ameaça um governo eleito democraticamente por seu povo'', afirmou.

O Conselho de Segurança da ONU deu inicío a negociações para criar uma resolução estabelecendo uma trégua imediata entre Rússia e Geórgia.

Diplomatas americanos e europeus concordaram os termos iniciais do documento, mas ele ainda deverá passar por ajustes, ao longo da semana, até chegar a uma versão final.

Moscou também lançou uma ofensiva diplomática. Em Bruxelas, o embaixador russo junto à aliança militar Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pediu que o órgão realize uma reunião extraordinária sobre o conflito nesta terça, antes de tomar qualquer decisão a respeito das tensões entre os dois países.

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