Ação antidrogas da ONU não coíbe abusos, diz Comissão Europeia

VIENA - A iniciativa da ONU contra o fornecimento e uso de drogas ilegais não apresenta progressos em nível global nos dez anos desde que foi lançada, disse um relatório da Comissão Europeia nesta terça-feira.

Redação com Reuters |

O texto do Poder Executivo da União Europeia foi lançado na véspera de uma reunião ministerial promovida pela Comissão da ONU para Drogas Narcóticas, em Viena, na Áustria. O encontro vai avaliar os resultados obtidos desde que a Assembleia Geral estabeleceu metas para o combate às drogas.

Encobrindo dissidências internas, os membros da ONU devem assinar uma declaração se comprometendo novamente a lutar contra o tráfico de drogas por mais dez anos.

O relatório da Comissão Europeia diz que a repressão às drogas apenas levou os traficantes para regiões relativamente menos policiadas. A proibição do consumo estimula usuários de drogas injetáveis a compartilharem seringas -- propagando doenças --, já que não há centros de apoio que forneçam material descartável.

O consumo de cocaína e heroína diminuiu no Ocidente, mas se tornou "uma séria epidemia" em partes do Leste Europeu e da Ásia Central, o que resultou em um aumento global no uso desde 1998, de acordo com o relatório.

"Não foram achadas evidências de que o problema global das drogas tenha se reduzido durante o período de 1998 a 2007", diz o texto.

"Falando em termos gerais, a situação melhorou um pouco em alguns dos países mais ricos, enquanto para os outros piorou, e para alguns piorou de forma aguda e substancial, entre estes estão alguns grandes países em desenvolvimento ou países em transição."

"Em outras palavras, a situação mundial das drogas parece estar mais ou menos no mesmo estado que em 1998", disse a Comissão Europeia.

"Há poucas evidências de que controles possam reduzir a produção global total (...) para o tráfico. Os controles sobre a produção e o tráfico só redistribuíram as atividades. A repressão contra os mercados locais fracassou na maioria dos países."

O relatório diz que os preços das drogas ilegais caiu de 10% a 30%.

"Os mercados para as drogas ilegais são em geral competitivos, não verticalmente integrados ou dominados por grandes vencedores ou cartéis. Os laços com o terrorismo e a insurreição armada são importantes, mas só em alguns países, como Afeganistão e Colômbia."

O relatório se baseou em pesquisas feitas em 18 países -- África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Estados Unidos, Grã- Bretanha, Holanda, Hungria, Índia, México, Portugal, Rússia, República Checa, Suécia, Suíça e Turquia.


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