Londres, 7 nov (EFE) - A escritora Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura 2007, e vários dramaturgos, acadêmicos e ex-diplomatas expressaram seu descontentamento com os planos da BBC de reduzir as horas de transmissão de seu serviço de rádio em russo.

Em carta publicada hoje no jornal "The Times", os signatários afirmam que os planos serão implementados em um momento em que, na Rússia, "o mal-entendido e a desconfiança para com o Reino Unido alcançam níveis sem precedentes desde o final da União Soviética".

Além de Lessing, assinam a carta os dramaturgos Tom Stoppard e Michael Frayn; o ex-embaixador britânico em Moscou Andrew Wood; o ex-embaixador nos Estados Unidos David Manning; Orlando Figes, professor de História do Birkbeck College (Londres), e o escritor Antony Beevor, entre outros.

Eles se queixam de que a "BBC" tem planos para cortar 19 horas semanais da cobertura de rádio no serviço russo para se concentrar mais no site nesse idioma.

Atualmente, a cadeia pública conta com 76 horas semanais no serviço russo e com 730 mil rádio-ouvintes por semana.

O tradutor de literatura russa Robert Chandler afirmou ao jornal que "parece que há muita gente infeliz com o serviço em língua estrangeira, ou pelo menos com o serviço russo da "BBC"".

No entanto, o chefe do Serviço Mundial, Nigel Chapman, disse ao "Times" que a emissora não está reduzindo o orçamento do serviço russo, nem "agora" nem "nos próximos dois anos e meio".

O serviço russo tem uma despesa anual de cinco milhões de libras (6,2 milhões de euros) e é o segundo mais importante do Serviço Mundial da "BBC", após o árabe.

As relações anglo-russas pioraram depois do assassinato, em Londres, do ex-espião russo Alexander Litvinenko, que morreu em novembro de 2006 após ser envenenado com polônio-210. EFE vg/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.