Acaba segunda sessão do julgamento de chefe do Khmer Vermelho

Phnom Penh, 18 fev (EFE).- A segunda sessão do julgamento do chefe do centro de torturas do Khmer Vermelho, Kang Kek lev, realizada hoje a portas fechadas no tribunal promovido pela ONU em Phnom Penh, serviu para definir procedimentos jurídicos, além das testemunhas e provas que serão apresentadas, nas audiências que começarão em março.

EFE |

A acusação pediu para incluir como prova o filme que o Exército vietnamita fez ao libertar Phnom Penh no centro de torturas de Tuol Sleng, que foi dirigido por Kang, então conhecido como "Duch", e onde morreram cerca de 14 mil pessoas.

Os advogados do acusado, o francês François Roux e o cambojano Kar Savuth, argumentaram que a gravação, que mostra cadáveres e sangue no chão e nas paredes do edifício, é propaganda do regime comunista vietnamita de então.

O próprio Duch, de 66 anos e detido desde 1999, admitiu publicamente os crimes cometidos em Tuol Sleng, onde os arquivos recuperados provam que os réus eram interrogados, torturados e executados.

O Khmer Vermelho de Pol Pot aboliu os tribunais de justiça, além da moeda, bancos e igrejas, por isso não havia julgamentos.

A Promotoria queria apresentar 33 testemunhas das atrocidades cometidas em Tuol Sleng sob as ordens de Duch, e calcula que os depoimentos levarão 40 dias.

A defesa propunha 13 testemunhas e estimava que quatro sessões e meia seriam suficientes para ouvir seu testemunho A lista da acusação privada, formada por mais de 12 advogados cambojanos e estrangeiros, se dividia em quatro grupos.

No final, a juíza neozelandesa Silvia Cartwright explicou na saída da sessão que foram definidas cerca de 30 testemunhas para as três partes.

As audiências com o comparecimento dos sobreviventes e especialistas começarão em meados de março, em uma data ainda a ser anunciada.

O Khmer Vermelho governou o Camboja de abril de 1975 até janeiro de 1979, período no qual 1,7 milhão de pessoas, segundo uma pesquisa da Universidade de Yale (Estados Unidos), morreram nos expurgos e deportações maciças em condições sub-humanas decretadas pelas autoridades.

O chefe máximo da organização, Pol Pot, morreu em 1998. EFE jcp/an

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