Acaba marcha de advogados pela volta de juízes cassados no Paquistão

Islamabad, 14 jun (EFE).- Centenas de advogados começaram hoje a deixar Islamabad, pondo fim a uma longa manifestação de protesto que durante cinco dias os levou a percorrer todo o país para exigir a reabilitação dos juízes do Supremo Tribunal destituídos pelo presidente Pervez Musharraf.

EFE |

"Terminamos a marcha, mas o movimento não acaba aqui", disse à agência Efe o advogado Shan-e-Haider, acrescentando que os protestos foram "históricos".

Segundo os organizadores, meio milhão de advogados, ativistas políticos e membros da sociedade civil se reuniram durante a madrugada em frente ao Parlamento paquistanês para exigir a volta dos juízes expulsos por Musharraf em novembro de 2007, mês durante o qual vigorava no país um estado de exceção.

Por volta das 3h no horário local (18h do dia anterior em Brasília), o líder da Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), Nawaz Sharif, se dirigiu aos manifestantes para se solidarizar com suas reivindicações.

Sharif pediu a Musharraf que "escute o povo paquistanês", em alusão às eleições de fevereiro, nas quais o partido que lhe dava apoio teve fraco desempenho nas urnas.

O ex-primeiro-ministro já tinha pedido recentemente que o presidente fosse julgado por "traição".

O PML-N rompeu o Governo de coalizão com o Partido Popular do Paquistão (PPP) em 13 de maio, devido às divergências sobre a fórmula para conduzir de volta a seus cargos os juízes do Supremo.

O PPP alega problemas legais para não reconduzi-los de volta a seus cargos imediatamente, e pretende, ao invés disso, ampliar o número de juízes do Supremo, dos atuais 16 para 29, uma medida que deve ser aprovada pelo Parlamento no final de junho.

Isto permitiria que antigos e novos magistrados se integrassem na mesma Corte, embora o PML-N defenda a restituição imediata dos juízes expulsos por Musharraf.

O ex-chefe do Supremo Iftikhar Chaudhry, que foi cassado por Musharraf, tinha entre seus casos pendentes um recurso contra a anistia que o presidente concedeu a Bhutto e a seu marido, que permitiu que voltassem do exílio. EFE igb/gs

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