Abraham Lincoln, a maior fonte de inspiração de Barack Obama

A cerimônia de posse de Barack Obama será sem dúvida bastante marcada pela lembrança de Abraham Lincoln, seu modelo termos de política: um presidente fora do comum, que foi capaz de unir seus compatriotas num período extremamente difícil.

AFP |

Da Bíblia sobre a qual o novo presidente americano prestará juramento, ao cardápio do almoço subseqüente, tudo lembrará a Barack Obama este ilustre predecessor que ele considera um modelo e uma fonte de inspiração.

"As comparações com Lincoln, que ele não tentará evitar, são uma aposta alta, principalmente junto aos americanos que não acompanham a política de perto", destacou o historiador Julian Zelizer, de l'université Princeton.

"Os objetivos de Barack Obama quando cita Lincoln são três: primeiro se associar a um grande líder, em seguida se colocar numa perspectiva ampliada na qual o país supera seu passado racista, e, terceiro, ser um dirigente capaz de apagar as divisões num período difícil", explicou.

Como o 16º presidente americano, nascido há 200 anos, Barack Obama é um advogado originário de Illinois (norte), que conseguiu superar as dúvidas nascidas de sua inexperiência política para ganhar a presidência em tempos de crise.

Presidente de 1861 até seu assassinato em 1865, Lincoln levou o Norte à vitória contra o Sul na guerra de Secessão, conseguiu a abolição da escravidão e pronunciou um dos discursos mais inspirados da história americana.

Seu governo era "uma equipe de rivais", formado por seus adversários na corrida para a nomeação republicana, um exemplo seguido por Barack Obama quando ele nomeou a secretária de Estado Hillary Clinton, sua rival nas primárias democratas.

Obama lançou sua campanha para conquistar a Casa Branca nas escadarias do parlamento de Illinois, onde Lincoln também foi eleito; ele tirou da gaveta as palavras do famoso discurso de Gettysburg, pronunciado por Lincoln em 1863 em plena Guerra Civil, um novo nascimento para a liberdade, para fazer delas o tema de sua posse.

Apesar de estar chegando ao poder em plena crise financeira, Barack Obama não parece temer a comparação.

"Lincoln era um gênio que nunca será igualado", afirmou um dia à televisão, dizendo-se "intimidado" pela força do segundo discurso de posse de Lincoln.

Mas isso não deve impedi-lo, como seu predecessor, de convocar em seu discurso de posse os americanos a se unir em sinal do espírito de sacrifício para devolver à América sua imagem de "farol para o mundo".

E ele repetiu o que Lincoln fez antes da posse, chegando a Washington de trem.

No dia 10 de janeiro, o novo presidente e sua família visitaram, ao cair da noite, o memorial onde fica a estátua gigante de Abraham Lincoln, sentado em frente o Capitólio, do outro lado da imensa esplanada do coração de Washington.

Terça-feira, nas escadas do Capitólio, é sobre a Bíblia que pertenceu a Lincoln, emprestada da Biblioteca do Congresso, que Barack Obama fará seu juramento.

O almoço terá pratos preferidos de Lincoln numa réplica do serviço em porcelana escolhido pela senhora Lincoln. Sobre a mesa, uma tela do vale de Yosemite, escolhida por Obama, ilustrando a decisão de Lincoln de fazer desta região uma reserva nacional.

Barack Obama deve, no entanto ,ficar longe de um dos lugares de Washington mais intimamente ligados à memória de Abraham Lincoln: o teatro Ford onde ele foi assassinado. A sala está fechada para reforma.

jit/lm

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