Nova York, 28 dez (EFE).- Umar Farouk Abdulmutallab, o jovem que no dia do Natal tentou explodir um avião que viajava de Amsterdã a Detroit, no Michigan, pode ter embarcado sem mostrar o passaporte, fazendo-se passar por um refugiado sudanês, segundo um casal americano que voava na mesma aeronave.

Kurt e Lori Haskell, advogados no Michigan, afirmam na edição de hoje do jornal nova-iorquino "Dialy News" que viram quando um homem que parecia indiano, de cerca de 50 anos, tentava convencer um funcionário no aeroporto de Amsterdã a deixar o suspeito a entrar no voo 253 de Northwest, apesar de não ter passaporte.

As autoridades nigerianas confirmaram que o suspeito, Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, havia tomado anteriormente um voo da KLM de Lagos, na Nigéria, para Amsterdã com um passaporte válido, lembra o jornal nova-iorquino.

O casal que jogava cartas perto da porta de embarque da companhia aérea Northwest em Amsterdã, diz ter visto Abdulmutallab acompanhado o tempo todo de outro homem, que foi quem falou com os responsáveis da companhia aérea e pediu a autorização para o jovem viajar sem passaporte.

"Acredito que estava tratando de fazer com que o menino parecesse um refugiado sudanês, para que tivessem pena dele", afirma Lori Haskell ao jornal, e detalha que o jovem "estava vestido como um pobre" e se manteve o tempo todo calado.

O homem indiano "vestia roupas mais elegantes, como as que poderia usar um defensor em um tribunal", detalhou a advogada, que voltava com o marido de um safári em Uganda.

Além disso, explica que o funcionário responsável pela porta de embarque disse ao homem de aspecto indiano que precisavam falar com um supervisor, mas nesse momento este insistiu dizendo que o jovem "era do Sudão e não tinha passaporte", e disse que faziam isso "constantemente".

O jovem "não abriu a boca em nenhum momento", segundo Kurt Haskell, e não voltou a perceber sua presença até dez minutos antes da aterrissagem em Detroit.

"Foi quando se viam chamas na parte dianteira do avião (da companhia aérea Delta e operado por Northwest Airlines, com 278 pessoas a bordo), uma aeromoça estava utilizando um extintor e os passageiros saltavam em cima de Abdulmutallab", relata o jornal sobre um incidente que fez os Estados Unidos reviverem o temor dos atentados terroristas em aviões comerciais.

Segundo Kurt Haskell, Abdulmutallab não resistiu em nenhum momento, os passageiros levaram poucos segundos para imobilizá-lo, embora depois todos tenham sido retidos por seis horas no aeroporto de Detroit.

Ali contou que além de prender Abdulmutallab, as autoridades detiveram e algemaram outro homem de traços indianos que não era o mesmo acompanhante do suspeito em Amsterdã.

Outro passageiro, Gagandeep "Calvin" Kakar, o dono de uma empresa têxtil em Nova York, afirmou hoje ao jornal "New York Post" que Abdulmutallab "não se surpreendeu, apesar de tudo que estava ocorrendo. Tinha uma expressão desafiadora no rosto, era possível notar que tinha objetivos concretos". EFE mgl/dm

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