LONDRES - Abdullah Abdullah, principal rival de Hamid Karzai nas eleições celebradas em agosto no Afeganistão, questionou a imparcialidade da Comissão Eleitoral (IEC) do país ao acusar esse organismo de apoiar ao presidente afegão.

Em entrevista divulgada nesta quinta-feira pela cadeia britânica "BBC", o ex-ministro afegão de Assuntos Exteriores afirma que a IEC "não é independente em absoluto", já que "está do lado do presidente Karzai".

Segundo Abdullah, a Comissão Eleitoral "é corrupta e sua negligência está agora estendida". "Acredito - ressalta o candidato eleitoral - que não é bom para o país que alguém que comete fraude maciça dirija o país durante cinco anos".

Abdullah insiste em que o "resultado fraudulento" das eleições implica um governo "ilegítimo", o que constitui uma "receita para a instabilidade deste país".

Com a apuração provisória quase finalizada, Hamid Karzai superou a maioria absoluta necessária para proclamar-se vencedor, mas um órgão eleitoral ordenou uma nova apuração parcial ao detectar fraudes e irregularidades.

A Comissão Eleitoral anunciou há dois dias que Karzai conseguiu 54,1% dos votos apurados até agora, que correspondem a 91,6% dos centros de voto.

Com 2.959.093 dos 5.469.289 contabilizados, Karzai ultrapassou o 50% necessário para evitar um segundo turno, seguido de longe por Abdullah Abdullah, com 1.546.490 votos (28,3%).

No entanto, a Comissão de Queixas (ECC) pediu à IEC uma nova apuração em todos os colégios suscetíveis de haver registrado irregularidades.

Concretamente, a ECC exigiu uma nova apuração em aqueles centros nos quais - segundo os resultados provisórios - haja mais de 600 cédulas emitidas, algo que representa uma participação muito acima da prevista pelos observadores.

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