Abbas viaja aos EUA para cobrar pressão sobre Israel

JERUSALÉM - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, viaja nesta quarta-feira aos Estados Unidos para pedir ao chefe de Estado americano, Barack Obama, que pressione Israel a aceitar a criação de um Estado palestino e detenha a ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

EFE |

Abbas vai se encontrar amanhã com Obama com uma estratégia clara: acusar o novo governo israelense, chefiado por Benjamin Netanyahu, de ser o responsável pela estagnação do diálogo no Oriente Médio e de alterar a balança que pesava o ferrenho apoio dos EUA ao Estado judeu.

"Basicamente, a viagem consiste em confirmar ao presidente Obama o desejo palestino de aplicar a solução de dois Estados", resumiu um dos assessores de Abbas, Saeb Erekat, ao anunciar a reunião.

Em palavras de Hussein Hussein, que também circula pelos bastidores da Presidência palestina, a intenção é "preservar" esta fórmula, proposta para pôr fim a décadas de derramamento de sangue.

A palavra mais ouvida entre os líderes palestinos sobre o encontro de Abbas com Obama é "otimismo", e com razão, considerando o resultado da reunião que Netanyahu teve com o presidente americano no último dia 19.

Nesse encontro, além de deixar claro que os EUA apoiam a criação de um Estado palestino, Obama pediu o fim da ampliação dos assentamentos judaicos.

De modo geral, a comunidade internacional considera justas as condições que a ANP exige para voltar à mesa de negociações.

Netanyahu, no entanto, se recusa a aceitar a criação de um Estado palestino, fórmula defendida pelos principais agentes internacionais e que guiou a tentativa de diálogo lançada por George W. Bush em novembro de 2007, em Annapolis (EUA).

"Houve uma guinada completa no discurso dos EUA e vamos aproveitar isso destacando que, agora, somos nós, os palestinos, que representamos os interesses nacionais dos EUA e compartilhamos uma visão de futuro ao promover uma solução negociada", disseram fontes palestinas próximas ao diálogo de paz.

Por isso, "Abbas aproveitará para lançar diante de Obama um claro desafio a Netanyahu: que explique abertamente se propõe manter por tempo indeterminado uma situação de 'apartheid' ou aceitar a iniciativa de paz árabe", que defende o reconhecimento de Israel por todo o mundo árabe em troca do fim da ocupação e da criação de um Estado palestino.

O momento é crucial, pois a expectativa é que, na próxima semana, no Egito, o presidente americano anuncie a nova política dos EUA para o Oriente Médio e suas ideias para questões importantes como o processo de paz entre palestinos e israelenses e o programa nuclear iraniano.

"Os países árabes apostam no 'cavalheiro negro' que governa a Casa Branca para ganhar a queda-de-braço com a direita israelense, apesar de terem consciência de que o apoio a Israel está enraizado em todos os departamentos em que as decisões são tomadas nos EUA", destacou o analista Talal Okal ao jornal "Al-Hayam", afim à ANP.

"Queremos um 'onde' e um 'quando', por isso o presidente (da ANP) pressionará para que haja um processo com um calendário e metas claras, que comece onde acabou o anterior (Annapolis), sem que seja preciso discutir de novo para onde vamos", ressaltou o diretor de comunicação da Presidência palestina, Mohammed Edwan.

Abbas exigirá que Obama obrigue Israel a congelar a expansão dos assentamentos, como estabelece o Mapa de Caminho, o plano de paz apresentado em 2003 pelo Quarteto de Madri (ONU, Estados Unidos, União Euopeia e Rússia), acrescentou Edwan.

O próprio Abbas explicou ontem, no Canadá, que a constante expansão das colônias será "um dos principais temas" que levará a Washington.

Desde a reunião com Obama, o Executivo de Netanyahu desmantelou alguns assentamentos considerados ilegais - ou seja, os estabelecidos desde 2001 e que abrigam uma parcela mínima do total de colonos -, embora, segundo o Direito Internacional, todos sejam irregulares.

Esse seria, segundo fontes do Ministério da Defesa de Israel ao jornal "Ha'aretz", parte do "preço" que Netanyahu teria pago em troca de críticas de Obama ao programa nuclear iraniano, a principal preocupação do Estado judeu.

Apesar de todas as expectativas, o Hamas, considerado uma organização terrorista pelos EUA, não estão tão otimista em relação ao encontro entre Abbas e Obama.

Fawzi Barhum, um dos porta-vozes do movimento islâmico em Gaza, vê a reunião de amanhã como uma mera "continuação do caminho de apelos e apostas perdidas com os EUA e o ente sionista (Israel)".

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