Abbas sai com liderança fortalecida de congresso do Fatah

Nuja Musleh. Ramala, 13 ago (EFE)- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, fechou hoje em Ramala o sexto congresso do grupo que lidera, o movimento nacionalista Fatah, que começou há nove dias em Belém e do qual saiu fortalecido. Faltando o anúncio, neste fim de semana, da composição de algumas instâncias diretoras, Abbas deu por encerrada a conferência após assegurar a liderança do movimento e se livrar da parte do aparelho acusada de ser responsável pelo pior de sua gestão. A conferência foi um grande sucesso, disse em entrevista coletiva que convocou na Muqata (Presidência palestina) depois de presidir a primeira sessão do renovado Comitê Central do Fatah, principal órgão de decisão no qual a maioria passou para mãos de dirigentes novos, mas leais a Abbas. O presidente da ANP e reeleito líder do Fatah ressaltou aos meios de comunicação que o grupo continuará buscando o fim da ocupação israelense, e o estabelecimento de um Estado independente através da negociação. Ele lembrou que o Fatah não renuncia ao direito da resistência, mas evitou explicar se essa seria armada. Abbas ressaltou que o Fatah rejeita todos os projetos de Estado com fronteiras temporárias, de lar nacional alternativo ou alocação do povo palestino, em alusão a propostas do Governo israelense do conservador Benjamin Netanyahu, que hesita em negociar a criação de um Estado palestino independente. O congresso, o primeiro do Fatah em 20 anos ...

EFE |

A controvérsia começou quando a chamada "nova guarda", integrada por representantes das gerações mais jovens do Fatah, exigiu que a direção submetesse ao fórum um relatório de sua gestão desde que, há cinco anos, Abbas tomou as rédeas do movimento, após a morte, em 2004, do líder Yasser Arafat.

As águas voltaram a ficar calmas quando os dirigentes dessa corrente, liderada por Marwan Barghouti, Mohammed Dahlan e Saeb Erekat, obtiveram a maioria no Comitê Central, de acordo com os resultados preliminares das eleições para renovar este órgão.

Os dados preliminares davam à "nova guarda" dois terços da composição do comitê, enquanto a "velha-guarda", segundo a apuração, ficava em minoria no órgão de decisão e cujos representantes pediram uma contagem dos votos.

O principal prejudicado era Ahmed Qorei, a quem a apuração das cédulas tirava do Comitê Central.

Qorei ocupou várias vezes o cargo de primeiro-ministro na ANP e era o virtual vice do movimento, mas, como outros representantes da "velha-guarda", foi denunciado por corrupção, o problema que levou o Fatah a seu menor índice de popularidade entre os palestinos.

Uma vez que a nova apuração confirmou na quarta-feira à noite a contagem preliminar, Abbas encerrou o congresso sem que fosse conhecido ainda o resultado das eleições para renovar o outro órgão dirigente, o Conselho Revolucionário, tipo de Parlamento interno.

E diante das acusações de fraude feitas por Qorei -"a fraude nas eleições iranianas foi muito menor do que tivemos nas palestinas", declarou o ex--virtual vice do Fatah ao serviço de notícias israelense "Ynetnews"-, Abbas se mostrou condescendente e disse que ele "tem todo o direito de protestar".

"Tenho Qorei em grande estima", afirmou Abbas, que considera a conferência "um novo começo" para o Fatah e que a convocou com o objetivo de "lavar a imagem" dos nacionalistas em uma tentativa de recuperar a confiança dos palestinos, após sua derrota nas eleições de 2006 para os islâmicos do Hamas. EFE nm/db

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