Abbas presidirá governo de união entre Fatah e Hamas

Após meses de impasse, facções palestinas anunciam que líder da ANP chefiará gabinete interino até eleição prevista para maio

iG São Paulo |

As duas principais facções palestinas, o Hamas e o Fatah, anunciaram nesta segunda-feira que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, vai dirigir um governo de união interino até as eleições na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

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Reuters
O presidente da ANP, Mahmoud Abbas (esq), e o líder do Hamas, Khaled Mashaal (dir), assinam acordo em Doha, no Catar

O acordo foi assinado por Abbas e por Khaled Mashaal , chefe do Hamas, num importante passo em direção à reconciliação dos dois grupos . “Prometemos ao nosso povo implementar este acordo o mais rápido possível”, afirmou o líder da ANP.

Mashaal afirmou que os dois grupos estão encarando o acordo com seriedade. “Estamos comprometidos a curar as feridas e reunir nosso povo ao redor de uma parceria política, para focar nossos esforços na resistência à ocupação (israelense)”, afirmou.

Os dois líderes chegaram a um acordo de reconciliação no ano passado, mais de quatro anos após a separação dos governos na Cisjordânia, controlada pelo Fatah, e em Gaza, controlada pelo Hamas. No entanto, discordâncias sobre quem chefiaria o governo interino atrasaram a implementação do plano.

O Hamas tinha demonstrado forte oposição ao primeiro nome apresentado por Abbas, Salam Fayyad, nomeado primeiro-ministro da Cisjordânia pelo presidente da ANP em 2007. Pelo acordo, todos os integrantes do gabinete serão tecnocratas politicamente independentes. A eleição estava marcada inicialmente para maio, mas os atrasos na implementação do acordo podem atrasar a votação.

Não está claro se o governo de união interino receberá o apoio de países ocidentais, já que os Estados Unidos e a Europa consideram o Hamas uma organização terrorista.

Reação de Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu ao anúncio pedindo a Abbas que escolha entre "a paz com o Hamas ou a paz com Israel". "Disse muitas vezes no passado que a ANP deve escolher entre uma aliança com o Hamas ou a paz com Israel. O Hamas e a paz não podem andar juntos", declarou Netanyahu no início de uma reunião de seu partido, o direitista Likud, informou seu escritório.

Netanyahu advertiu a Abbas que, se "colocar em prática o acordo assinado hoje em Doha, estará escolhendo se desligar da via da paz e ligar-se ao Hamas". "Digo a Abu Mazen (como ele é conhecido entre os palestinos): não se pode segurar a corda pelos dois lados. É a paz com o Hamas ou a paz com Israel. Não é possível os dois ao mesmo tempo", advertiu.

Anteriormente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, lamentou um pacto que representa "maior complacência em relação ao Hamas, o principal obstáculo no caminho da paz e do compromisso".

Com AP e AFP

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