Abbas não deveria implorar por Estado palestino, diz Hamas

O grupo islâmico rejeitou o pedido feito pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina pelo reconhecimento na ONU

iG São Paulo |

Reuters
Líder do Hamas Ismail Haniyeh conversou com jornalistas após as orações em Gaza
O grupo islâmico Hamas rejeitou o pedido do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, pela condição de Estado na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, dizendo que os palestinos deveriam libertar sua terra, não implorar pelo reconhecimento da ONU.

Em declaração feita horas antes de Abbas pedir oficialmente o reconhecimento da ONU para um Estado palestino, um dos dirigentes do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que isso não conduziria à independência.

"Nosso povo palestino não implora por um Estado (...) Países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades", disse Haniyeh, que lidera o governo do Hamas na Faixa de Gaza.

O Hamas tomou o controle de Gaza depois de um breve conflito com simpatizantes de Abbas em 2007. O presidente palestino detém o poder no território ocupado por Israel na Cisjordânia, e os recentes esforços para reconciliar os dois lados estão estagnados. (Veja cronologia do conflito entre palestinos e israelenses)

"O povo palestino vem lutando e resistindo e enfrentando dificuldades há mais de 60 anos, oferecendo milhares de mártires, milhares de prisioneiros (...) para libertar a terra", acrescentou Haniyeh a jornalistas pela manhã. "O Estado não será criado por meio de barganhas e essa chantagem política."

O estatuto do Hamas pede a destruição de Israel e o grupo tem criticado Abbas repetidas vezes por tentar alcançar um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. Abbas afirma que está buscando o reconhecimento da ONU, porque as quase duas décadas de diálogos de paz com Israel fracassaram.

No entanto, os EUA disseram que vetarão qualquer resolução que reconheça um Estado Palestino, argumentando que uma medida unilateral tornará mais difícil assegurar a paz.

Segundo Haniyeh, o veto dos EUA indica que Abbas estava perdendo seu tempo e que deveria, ao invés disso, se concentrar em resolver as divergências políticas com o Hamas. "Essa é a escolha a ser feita, não ficar correndo atrás de uma miragem", afirmou.

Nesta sexta, o movimento islamita Hamas e o Fatah de Abbas decidiram em comum acordo não realizar manifestações públicas para não acirrar suas divisões políticas. Na Cisjordânia, milhares de palestinos saíram às ruas para apoiar a iniciativa de Abbas.

Discurso de Abbas

O presidente palestino foi recebido com uma grande ovação e assobios de apreciação ao se aproximar do púlpito para discursar na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta sexta-feira.

"Aspiramos a um papel maior e mais efetivo na ONU para alcançar uma paz justa e completa em nossa região que assegure os direitos nacionais legítimos e inalienáveis da população palestina como definido pelas resoluções de legitimidade internacional da ONU", disse no início de seu discurso.

Abbas afirmou que as negociações "não terão significado" se Israel continuar construindo colônias nas terras que os palestinos reivindicam para um futuro Estado. Ele também alertou que seu governo pode entrar em colapso se as construções continuarem. Os palestinos querem que seu Estado seja estabelecido conforme as fronteiras anteriores à Guerra do Seis Dias, de 1967, que incluem a Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Para ingresso na ONU, é preciso obter no principal órgão de decisões da organização multilateral uma maioria de nove votos e nenhum veto dos cinco países com esse direito (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China). No entanto, o presidente americano, Barack Obama, já anunciou que vetará o pedido palestino.

Netanyahu

Instantes após o pronunciamento de Abbas, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os palestinos tentam obter um "Estado sem paz" ao reivindicar o reconhecimento de seu Estado pela ONU e rejeitar negociações diretas com os israelenses.

Em seu discurso, ele afirmou que não estava no púlíto "para ganhar aplausos", mas, sim, "para dizer a verdade". "A verdade é que Israel quer a paz. A verdade é que eu quero a paz.", disse. "A verdade é que os palestinos não querem negociar. A verdade é que os palestinos querem um Estado sem paz. E a verdade é que vocês não devem deixar isso acontecer."

Ele ecoou o discurso do presidente dos Estados Unidos , Barack Obama, na mesma Assembleia na quarta-feira, ao afirmar que a paz no Oriente Médio não pode ser alcançada "por meio de resoluções da ONU", mas apenas por negociações diretas entre palestinos e israelenses.

Com Reuters e AFP

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